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Gabriel Ferraresso

Gabriel Ferraresso

São Paulo/SP

Ainda posso sentir a textura da escrivaninha marrom doada, gasta pelo tempo, com arranhaduras que aprofundavam os veios da madeira. Isso foi aos sete.

Eu dizia que seria escritor. Por isso, em uma pequena saleta transformada pela minha mãe em ateliê, comecei a escrever e ilustrar contos sobre gatos e bruxas.

Eu me lembro como se fosse ontem: o calhamaço de sulfite, lápis de cor e um grampeador que usava para, ao dobrar os papéis, grampear na divisória, simulando um livro.

A escrita me acompanhou desde então. Nos concursos de redação, na escolha pelo jornalismo e em meu dia a dia na advocacia. Uma escrita incontida e, por vezes, avessa aos protocolos.

Fascinado por histórias, ideias e sonhos, ainda hoje vejo na curiosidade pelo mundo e nas contradições da vida (às vezes narrada só em pensamento) um pouco daquele menino diante da escrivaninha, tentando transformar imaginação em palavras. Desde os sete.


Gabriel Ferraresso