Rio de Janeiro, 1987. A TV Arajá, do todo-poderoso Bento Maia, leva ao ar a novela Lance Proibido de Narciso Novaes, estrelada pela ousada Lia Lenzi e pelo galã gay Eros Montoya. Mas, nos bastidores do brilho e da fama, uma sombra começa a se espalhar, a epidemia de aids chega ao coração da televisão brasileira. Neste cenário de medo, preconceito e sensacionalismo, surge Túlio Marcos, um ator estreante que abandonou a medicina pela arte. Agora, ele terá que encarar o papel mais difícil de sua vida: voltar a exercer a medicina para salvar a vida de colegas, enquanto luta contra a intolerância e o pânico social.
"A TV parece ser um lugar de sonhos, mas é uma fábrica de ilusão. Dentro e fora. Não passa de um pesadelo pelo qual pagam bem.
[...]
Aqui é um serpentário, meu anjo. Todo mundo rasteja atrás de um papel."
Nos bastidores do glamour, onde luz e maquiagem escondem disputas brutais, ninguém chega ao topo sem deixar marcas.
"Nem um de nós chegou até aqui sem prejudicar alguém, nem que para isso, na sombra, à espreita, seja preciso tirar a oportunidade de outro."
Ambição, inveja e desejo se misturam em um jogo onde talento nem sempre é o suficiente.
"Quando a porta do elevador se abriu, entrou e foi direto ao espelho. A revelação aconteceu ali, sob a luz fria. O sorriso desabou. Era um homem culto, instruído, e analisou melhor a mancha. A resposta irrompeu sua mente como um game over: Sarcoma de Kaposi. Uma lágrima caiu. Depois outra.
Esmurrou o espelho, estilhaçando parte dele e se ferindo, abrindo corte nos dedos. Nem lembrou, naquele instante, que precisaria daquelas mãos para continuar escrevendo.
O sangue pingava no piso branco do elevador. Chegou ao seu andar. Antes de sair, na porção do espelho que restara intacta, escreveu com o próprio sangue uma única palavra, como no frame final de um último capítulo de novela: fim."
Entre o brilho da fama e a sombra da epidemia, vidas são atravessadas por preconceito, desinformação e urgência.
"— Tudo bem. Se eu morri pro senhor, então viva seu luto. Porque eu vou continuar vivíssimo. E atrás dos meus sonhos. Meus!"
Quando o mundo tenta te definir, resistir pode custar tudo, inclusive o amor.
"A sexualização na carreira tornou-se destino inevitável. Nunca teve força, nem poder de escolha para evitar a maré. Foi devorada pelas vontades superiores da entidade chamada 'audiência'..."
Na televisão, o corpo também é moeda, e o público, juiz implacável.
Entre novelas, bastidores, amores proibidos e uma epidemia que abalou o mundo, Chiclete para os Olhos revela o que acontece quando o espetáculo termina e a vida real começa. Uma história intensa, provocadora e impossível de ignorar.
Premiado com um Emmy Internacional. Após décadas dedicadas apenas aos roteiros, escreve seu primeiro romance: "Chiclete para os Olhos". Na televisão, coescreveu novelas para a Rede Globo (como Mauricio Gyboski), tendo entre seus principais trabalhos Fina Estampa, O Sétimo Guardião e Império, vencedora do Emmy e de diversos outros prêmios como Extra, F5 Folha Uol, Quem, Contigo e Troféu Imprensa. Seus textos e roteiros foram exportados para mais de 30 países e traduzidos para outras línguas em remakes e adaptações, caso de Marido en Alquiler (Fina Estampa) na emissora hispano-americana Telemundo.
No cinema, corroteirizou Crô, o Filme e Águas Primaveris (em processo de captação), entre outros. Em emissoras regionais, destaque para a primeira minissérie da Ulbra TV, Parada 90, que escreveu e também dirigiu.
Fez e recomenda o Curso Online de Formação de Escritores. Possui no portfólio projetos de séries, filmes, sinopses de telenovela e novelas verticais. Contato: