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A CONCUPISCÊNCIA DA DOR

A CONCUPISCÊNCIA DA DOR

por Adeli Alencar

O ser humano, e eu me incluo, como humana que sou, tem uma tendência a sentir sempre a dor de forma potencializada. Ele dá mais vazão a dor, a cultivar a dor, do que crer, confiar, exercitar a confiança na misericórdia de Deus, no amor de Deus, na providência de Deus. Eu diria que isso é uma concupiscência, como outra qualquer, a concupiscência do sentir dor. E, então, o ser humano faz um movimento totalmente transversal, buscando incessantemente o prazer e a alegria do mundo, em vez de buscar o prazer da confiança em Deus, da alegria da Fé, da esperança, da partilha, do bem.

O homem descrê de todas essas verdades que existem, mas que estão fora do mundo. Por isso ele sofre. E quanto mais sofre, mais cultiva a desesperança e a descrença. Acaba buscando prazeres imediatos, frívolos e passageiros, para aliviar esse sofrimento, sem se dar conta de que a dor que ele sente é justamente pela ausência da fé e da confiança em nosso Pai.

Não sente alegria de colocar os problemas nas mãos de Deus e confiar que Ele está cuidando de tudo. O problema, a meu ver, é a perda da capacidade de alegra-se Nele, não conseguir superar a concupiscência da dor e do sofrimento, porque não confia, não acredita e não espera suficientemente no Criador.

E segue, equivocadamente, buscando o prazer do mundo, para suplantar essa não confiança em Deus. Na minha teologia é a concupiscência da dor pela ausência da confiança em Deus.

Santa Tereza D'ávila, no Livro Castelos Interior ou Moradas, afirma que o ser humano se perde, quando perde a sua identidade de filho de Deus. A consciência de sua pertença traz a consciência da sua dignidade.

E, dificilmente, haverá alguém confiante em Deus, com fé e esperança, esperando na Sua providência, se não houver essa consciência de dignidade pela simples e tão somente razão de sermos Seus filhos muito amados, nós valemos mais do que muitos pardais.

 A dignidade que nos é conferida, com essa filiação, por si só, segundo a santa, já elevaria o homem a um patamar espiritual que o protegeria de muitas intempéries morais, dentre elas essa ausência de consciência da filiação divina.

A dor deve ser sentida. Mas observe bem qual o sentido em que estou dizendo. Não é simplesmente no sentido de sentir dor e sofrer com ela, mas pensar a dor, amadurecê-la, entendê-la. Conseguir alcançar as implicações psicológicas e os reflexos no ambiente e nas pessoas que nos rodeiam. Compreender o que essa dor ocasiona em nós mesmos.

É uma questão de burilar a dor. Elaborá-la. Seja dor física, moral, psicológica ou emocional. Quais as consequências dessa dor e o que vou fazer para superá-la? Quais os resultados advirão dessa dor e da superação desse sofrimento para a minha mente e para o meu coração?

A dor, se bem vivida, bem sofrida, traz muitas riquezas de crescimento espiritual e emocional. Evoluímos, quando sofremos, sob as mais variadas formas. Sejam quais forem os motivos, sempre haverá espaço para se buscar uma ressignificação em Deus dos sofrimentos. Um sentido que nos proporcione a compreensão maior dos nossos pesares.

Mas para que haja esse processo, é mister que se alie ao sofrimento a consciência sobre esse sofrimento no catalizador da fé dando direção a toda a prova, favorecendo um novo olhar, um novo prisma, um novo aspecto daquilo que, inicialmente, possa parecer sem sentido e apenas pesaroso.

Pode haver, sim, e há, algo de sobrenatural e misericordioso a fundamentar a nossa existência com ou sem sofrimento. Sempre haverá um Criador do qual somos criaturas e esse Criador está no comando das nossas histórias.

Esse Deus de amor que dá sentido e fundamento a tudo, desceu do céu, como ouvi hoje, em uma homilia, e andou entre nós, demonstrando e provando que Ele se faz presente no nosso dia a dia e é o Senhor da nossa história pessoal.

Esse Deus de Amor desceu até nós, acolhendo nossa humanidade, para nos mostrar, que tudo é sobrenatural por aqui, e o que precisamos é entrar em contato com esse sobrenatural revelado a nós e por nós, nos dizendo em corpo, sangue, alma e divindade, presença viva entre nós, que somos sobrenaturais também.

O que precisamos é aderir a essa filiação divina sobrenatural com fé, para que o sobrenatural em nossas vidas seja revelado, mais ainda do que já o foi com a presença de Jesus entre nós.

Precisamos ter intimidade com Deus, orar, rezar, estar em contato e acreditar que Ele está conosco em todos os momentos de nossa vida. Deus apenas pede a nossa FÉ, para que todo esse sobrenatural aconteça na nossa história.

Adeli Alencar

Sou uma pessoa de bem com a vida, divertida e criativa que ama ganhar gargalhadas alegres de todos.

Bacharela em Direito pela Universidade Federal do Ceará e Advogada inscrita na Seção Ceará da Ordem dos Advogados do Brasil.

Cursando, atualmente, Teologia Católica na UNINTER e escritora (Poeta).

Fluente em idiomas inglês e italiano (B1/B2) e iniciante (A1) no francês. 

Contatos pelo email maturidade.sabedoria@gmail.com