por Alexis Rodrigues de Almeida
Carros seguem pra lá e pra cá.
Numa insana pressa, roncam seus motores.
Passam arranhando o duro asfalto,
Que, na recíproca da vida,
Vai lhes roendo os saltos.
Carros de passeio levam famílias,
Umas felizes, outras nem tanto.
Caminhões carregam progresso,
Transportam prazeres em caixas,
Ou apenas descartam excessos.
Ônibus por ali passam, cheios e pesados,
Lotados de cansaços, esperanças e ilusões.
Homens e mulheres em pé ou sentados,
Sacrificam corpos, almas e corações.
À margem da via e da vida,
Um homem empurra sua carroça
Que também segue lotada
De pneu velho, garrafa e papelão.
Carrega aquilo que sobrou
Do progresso que a outros chegou.
Ao seu lado, o filho, sentado,
Admira tudo, sorrindo encantado
Alexis Rodrigues de Almeida é escritor apaixonado por grandes clássicos da literatura. Autor de alguns contos publicados em coletâneas, explora temas como relações familiares, dilemas éticos, sempre buscando contar uma boa história, que traga reflexão para os leitores de uma forma prazerosa. Participou de diversas coletâneas de contos, e atualmente dedica-se a escrever sua primeira narrativa longa.