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A vida como ela é...

A vida como ela é...

por Virgínia Maura Martins Ferreira

A vida como ela é...

 

 

           "O homem está sempre procurando o tesouro, e está sempre muito perto dele". Com esse ditado budista, a inglesa Anizamba começou a sua palestra em um sábado ensolarado em São Luís, para uma plateia curiosa e ansiosa querendo entender o sentido da vida.

           Sempre gostei da filosofia budista, do yoga e da meditação. Por isso, fiquei interessada em assistir à palestra e de saber quem era essa andarilha que viajava pelo mundo divulgando essa filosofia, esse jeito de pensar, de viver e de ser. Sei pouco sobre o Budismo, mas o que sei, já me dá uma ideia dos ensinamentos que foram e são seguidos pelas pessoas que adotam essa filosofia de vida. O budismo valoriza o amor ao próximo, a paz, o desapego das coisas materiais, a não-violência e muitos outros princípios. Se essas ideias fossem seguidas, poderiam tornar a vida mais fácil e mais feliz para milhares de pessoas.

           Nada me impressionou nas palavras de Anizamba; pelo contrário, tudo o que ela disse eu já sabia há bastante tempo. O que ela disse, transcrevo a seguir para reflexão: devemos contemplar a preciosidade e a raridade da vida humana. Valorizar o que temos e não nos preocupar com o que nos falta. O homem não percebe o tesouro que possui: a família (o bem mais precioso), a saúde, amigos, trabalho, casa, oportunidades e muitas outras coisas. Por isso, está sempre em busca de algo em sua vida. E pensa que só será feliz se tiver isso ou aquilo.

           Esse pensamento está totalmente errado. O homem sempre irá procurar coisas e correr atrás de outras que acredita que vão trazer felicidade. Tudo é um estado de espírito. A felicidade está dentro de nós. Baseamos nossa felicidade em ter coisas, e esse é o maior erro. Quando perdemos algo que tanto desejávamos, sofremos. Então, onde estava a felicidade?

           Pense bem sobre isso. Às vezes, queremos algo a qualquer custo. Não esperamos a água fluir no leito do rio, nem a queda das folhas no outono, porque já desejamos o verão ou o inverno. Não esperamos a vontade de Deus. Estamos sempre correndo atrás de coisas e não percebemos o que está ao nosso lado, no mesmo lugar que nós.

            Por isso, vivemos infelizes, acreditando que a felicidade está em outro lugar, em pessoas e em coisas. A vida passa veloz, como os trilhos dos trens. Os dias e os anos vão passando, e quando percebemos, já não podemos fazer quase nada para mudar.

            A monja budista também disse que devemos reservar tempo para o lazer e usar o tempo livre de forma eficiente, com produtividade, focando no que realmente é importante em nossas vidas. Os maiores benefícios da civilização estão no lazer. Devemos refletir sobre o que estamos fazendo e os resultados de nossas ações.  

             Bem, isso foi o que eu ouvi na palestra. O restante são minhas palavras: ninguém percebe o frescor da primavera e nem a beleza das manhãs. Ninguém percebe o voo das borboletas e do beija-flor. É a verdade que assombra. Cada um seguirá o caminho traçado por Deus. Só ele conhece os trilhos e pode nos salvar da velocidade do trem e dos perigos que cercam nossas vidas. Não sabemos quais desvios e atalhos ainda teremos que percorrer. Precisamos continuar. Ainda estou cheia de esperanças. Só se encontra a felicidade quando se ama verdadeiramente, com o amor de Deus. Tudo passa. Tudo passará. O restante é apenas ilusão... E invenção dos homens. "[14 de março de 2006]

Virgínia Maura Martins Ferreira

Jornalista, escritora e instrutora de yoga, apaixonada pelo poder das palavras. Seu maior encanto é a aventura pelo mundo da literatura infantojuvenil. Já tem nove livros publicados: sete em prosa e dois de poemas. Também escreve contos e crônicas, alguns já  publicados em Antologias e jornais locais. Gosta de usar seu tempo para orar, ler, escrever e cuidar da casa. Encontra prazer no silêncio, na comida saudável, na yoga, na meditação, em caminhar ao ar livre, e em apreciar árvores, flores, pássaros e animais, além de tomar banho de mar e de cachoeira.