por Giuseppe Caonetto
quando me transmuto
num poema anoitecido
levo comigo as melhores lâminas
faço versos com palavras
dissecadas mutiladas rasgadas
abro páginas moídas do dicionário
recorto admoestação com navalha
(pela feiura da palavra)
vejo-me algoz de mim mesmo
por ali estar — em cada termo
mas quando me deparo com amor
(entre amoquecar e amora)
perfuro as artérias da palavra
com o punhal da churrasqueira
deixo escorrer todo sedimento
com precisão cirúrgica
esvazio seu ventre semântico
sou o algoz de mim:
a palavra-ferida
em meio a cicatrizes
depois
a recomposição
a reconstrução
o reacendimento
o preenchimento dos vazios
com os fogos vulcânicos dos poros
GIUSEPPE CAONETTO (1962), natural de Paranavaí (PR). Editor, poeta e escritor. Licenciado em Letras (Fafipa/Unespar, 1989). Especialista em Língua Portuguesa (Fafipa/Unespar, 1992). Bacharel em Direito (Fundinopi/UENP, 1997). Concluiu o Curso Livre de Formação de Escritores (Metamorfose, 2022) e o Curso Livre de Preparação de Escritores coordenado pelo Centro de Apoio ao Escritor da Casa das Rosas (CLIPE 2023). Ingressou por concurso no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região em agosto de 1986, permanecendo na Justiça do Trabalho até julho de 2023. Exerceu o cargo de Diretor de Secretaria nas Varas do Trabalho de Jacarezinho, Loanda e Paranavaí. Foi membro fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí. Publicou: Santo Rosário: um tesouro mariano (Vozes, 2010); Para que os olhos falem: poemas ternos (poesia, edição do autor, 2012; Doarte Edições, 2023, eBook); Doarte (poesia, EGP, 2016; Doarte Edições, 2023, eBook); Trilhas sazonais: versos liturgos, em coautoria com Lilia Souza (poesia, Sarau das Letras, 2020); O livro do amor: o amor diluído em trinta poemas (poesia, Doarte Edições, 2023, impresso e ebook); Nasci em 62: sessenta e dois sonetos e um sonetilho (poesia, Doarte Edições, 2024, impresso e ebook) e tantum: tanto apenas (poesia, Doarte Edições, 2025, impresso e ebook). Participou como coautor e organizador da obra Vara do Trabalho de Paranavaí: 18 anos de história (TRT PR, 2004). Participou das seguintes obras coletivas: Poetrix 2 (MIP, 2007); Poetrix 5 (Scortecci, 2017); Poetrix 6 (Rumo Editorial, 2019); 1ª Coletânea Literária de Paranavaí (ALAP, 2012); Prêmio CNNP (Vivara, 2015); 1001 Poetas (Casa Brasileira de Livros, 2022) e TikTextos (Metamorfose, 2022). Premiado no 54º FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí (2019). Fundou em julho de 2023 a Doarte Edições. No mesmo ano, ingressou no Centro de Letras do Paraná.