por Ana Cristina Sampaio Alves
Eu sei que o México, para a maioria, significa Cancun. Para alguns saudosistas, talvez remeta a Acapulco, palco de saltos ornamentais de penhascos que o programa Esporte Espetacular costumava apresentar aos domingos. Mas para mim, México passa, necessariamente, pelos quesitos história e novas culturas, dois dos principais na minha lista de lugares para conhecer. Foi com esse viés que decidimos nos aventurar pela Cidade do México, uma capital com população superior a nove milhões de habitantes, que chega a vinte milhões se considerarmos a região metropolitana, o que a torna uma das mais populosas do mundo.
Nessa cidade permanentemente lotada, com trânsito mais lento e caótico que o de São Paulo, na qual caminhar é driblar uma multidão, é preciso registrar que habita o povo mais acolhedor, educado, solícito e sorridente que já tive o prazer de conhecer. Se pudesse fazer um ranking da melhor cidade do mundo para o turista, ela estaria nos primeiros lugares.
No passado, entretanto, a imagem era a de uma capital insegura e perigosa, com o crime, em geral, ligado ao narcotráfico. Esqueça esse cenário: a Cidade do México é segura de manhã à noite; aliás, por onde andamos há tanta gente circulando que você até se sente protegido. Respira-se um ar de história antiga que mistura as tradições maias e espanholas. O Zóccalo, bairro central onde a cidade começou, tem arquitetura, cheiros e sons que nos remetem à infância do interior. Quem não se recorda do realejo tocado nas praças? Na Cidade do México, o organillo é tocado nas ruas por homens fardados, que buscam ganhar alguma "propina" com as cantigas famosas dos mariachis.
Caminhamos e utilizamos o transporte público, que é muito eficiente. O único problema é sua lotação máxima eterna, tendo em vista uma cidade tão populosa. O metrô foi nosso grande aliado e viajamos sempre nos vagões femininos, com as trabalhadoras mexicanas e seus filhos pequenos. Sim, elas são como nós: mães carinhosas e presentes, que lutam para criar a prole e ganhar o sustento da família em um país que ainda lida com o machismo.
A comida é um capítulo à parte. Esqueça os tacos, burritos e fajitas que comemos em restaurantes temáticos no Brasil. Os pratos mexicanos têm muitos outros nomes e sabores, a grande maioria deles feita com o ingrediente mais importante do México: o milho, que pode ser branco, preto, roxo, azul, marrom, além do tradicional amarelo. São mais de sessenta variedades nativas desse cereal, que misturam séculos de cultura e história na sua produção.
E por falar em história, a Cidade do México é garantia de novos e excelentes aprendizados. O gigantesco e absolutamente imperdível Museu de Antropologia reúne acervos das civilizações pré-hispânicas que dominavam a América Central e está classificado como dos melhores do mundo, ao lado do Louvre e do Metropolitan, com o inconfundível toque latino. É como se teletransportar no tempo e vivenciar a evolução do homem no continente americano.
O Centro Histórico - Patrimônio Mundial da Unesco e repleto de museus, igrejas, praças e edifícios históricos - pode se tornar muito mais interessante se você se juntar a um free walking tour, que, além de narrar as histórias por trás de cada local, oferece dicas de restaurantes e comida de rua para todos os gostos e bolsos. Nada mais pitoresco e único numa viagem do que se aventurar na gastronomia sem se preocupar com as avaliações de um restaurante.
Foi o que fizemos também na visita ao bairro de Coyoacán, conhecido por suas ruas charmosas e boêmias, com muita música na praça e restaurantes típicos. É lá que se encontra o Museu Frida Khalo, que, infelizmente, não pudemos conhecer. Os ingressos se esgotam antes de você colocar os pés no México, por isso, adquira-os com antecedência. Há ainda vários outros bairros que valem visitas calmas a pé, como Roma, Condessa, Polanco e o famoso Xochimilco, onde estão as traineiras coloridas, comparadas às gôndolas de Veneza. Esse deixamos por último, justamente por seu aspecto mais turístico, e terminamos por não conhecer. Para quem já esteve três vezes em Veneza e nunca andou de gôndola, não houve grandes arrependimentos.
Não quero deixar de mencionar o Muralismo Mexicano, cuja expressão maior está em Diego Riveras, artista que foi casado com Frida Khalo e cuja obra você pode conhecer não só no museu dedicado a ele, como em vários outros como o Palácio de Belas Artes. Além dele, o México possui outros destaques desse movimento artístico que surgiu no país no início do século XX, caracterizado por grandes pinturas murais em edifícios públicos. O objetivo era transmitir mensagens sociais e políticas, além de celebrar a cultura e a história mexicana. Prepare-se, pois os murais são impressionantes.
Para concluir, faça também uma imersão na cultura pré-hispânica por sítios arqueológicos, sejam eles em pleno burburinho do centro, como o Templo Mayor, cujas passarelas levam os visitantes a explorarem os vestígios do principal templo asteca, como nas ruínas de Teotihuacan, um sítio arqueológico de grande importância, com suas impressionantes pirâmides do Sol e da Lua, que está localizado a cerca de 40 km da capital. Para conhecê-lo, vale a pena contratar uma agência local.
Ana Cristina Sampaio Alves escreve desde a infância. Ainda criança, já se considerava uma novelista, mesmo que as histórias fossem um misto de contos de fadas com personagens reais. Escolheu o jornalismo como profissão, o qual a permitiu transitar por todo tipo de texto, desde os mais técnicos até os mais criativos, em diversos segmentos de mídias. Continua explorando a escrita e agora se aventura na literária, tendo publicado alguns contos e dezenas de crônicas. Esse é o gênero em que melhor transita.
Embora não tenha ainda publicado narrativas longas, já participou da edição de coletâneas de contos. Segue buscando aprimorar o texto que emociona e traz reflexão. Participa do Curso Online de Formação de Escritores.