por Ana Cristina Sampaio Alves
Eis que chega o Novembro Azul, mês da conscientização do câncer de próstata. Falando sério, homens, passou da hora da piada perder a graça, do preconceito e da cultura machista dar lugar ao autocuidado. O câncer de próstata é o mais letal no Brasil e mata um homem a cada 38 minutos. Os números impressionam, principalmente porque, se identificado precocemente, apresenta 95% de chance de cura. Um câncer de próstata não agressivo cresce tão lentamente que pode levar 15 anos para atingir 1 centímetro. O que significa que muitos nem souberam que um dia o tiveram. Mas com o envelhecimento da população, a doença vem ganhando sobrevida.
O que, no entanto, precisa ser urgentemente revisto é o percentual de homens que permitem ao urologista realizar o "toque" retal. Uma pesquisa do Centro de Referência em Saúde do Homem, no estado de São Paulo, mostrou que apenas 20% dos pacientes aceitaram fazer o exame, o qual, junto com o PSA (exame de sangue), é determinante para detectar o tumor na próstata. Este último não enfrentou resistências por parte dos pacientes.
A Sociedade Brasileira de Urologia também vem pesquisando formas de quebrar as barreiras masculinas contra o exame mais importante para barrar o avanço da doença. Se em conversas de bar já há os que falam abertamente sobre o assunto, apenas 32% dos entrevistados da SBU disseram ter feito o exame de toque retal. A maioria afirma que faz apenas o PSA, mas este pode indicar outros problemas quando alterado, daí a importância da combinação de ambos.
O Novembro Azul foi criado na Austrália em 2003 por dois jovens amigos que pensaram em usar bigodes numa época em que o acessório não era moda. Ao verem o exemplo da mãe de um colega, que levantava fundos para uma campanha contra o câncer de mama, eles resolveram associar o bigode à prevenção do câncer de próstata, cujo dia mundial já era comemorado em 17 de novembro. No ano seguinte surgiu a Movember Foundation, uma brincadeira com as palavras moustache (bigode) e November (novembro), uma fundação sem fins lucrativos para conscientizar sobre o câncer de próstata. E os bigodões viraram moda por lá e em mais 20 outros países.
Em 2011, a campanha chegou ao Brasil capitaneada pela Sociedade Brasileira de Urologia e pelo Instituto Lado a Lado pela Vida. E foi pensando logo em atacar o preconceito associado ao exame que detecta o câncer que mais mata os homens, que o primeiro slogan da campanha foi "Um toque, um drible".
O mais interessante é que esse malfadado "toque" retal dura apenas 10 segundos. Porém, a sociedade masculina vem levando décadas para torná-lo um exame de rotina, capaz de salvar a vida de mais de 15 mil homens por ano no país.
Ana Cristina Sampaio Alves escreve desde a infância. Ainda criança, já se considerava uma novelista, mesmo que as histórias fossem um misto de contos de fadas com personagens reais. Escolheu o jornalismo como profissão, o qual a permitiu transitar por todo tipo de texto, desde os mais técnicos até os mais criativos, em diversos segmentos de mídias. Continua explorando a escrita e agora se aventura na literária, tendo publicado alguns contos e dezenas de crônicas. Esse é o gênero em que melhor transita.
Embora não tenha ainda publicado narrativas longas, já participou da edição de coletâneas de contos. Segue buscando aprimorar o texto que emociona e traz reflexão. Participa do Curso Online de Formação de Escritores.