por Lorena Araújo de Oliveira
As relações humanas são, em grande medida, espaços de revelação. Ao nos relacionarmos, não conhecemos apenas o outro - conhecemos também a nós mesmos.
Durante muito tempo, acreditei que compreender o outro era o principal objetivo das relações. Com o tempo, porém, passei a perceber que existe um movimento anterior: compreender a si. Perguntas simples começaram a surgir com mais frequência: o que sinto? O que preciso? O que, muitas vezes, deixo de dizer?
Grande parte dos conflitos nasce quando o foco se desloca para aquilo que falta no outro. Quando isso acontece, a comunicação se torna confronto. A fala deixa de ser expressão e passa a ser cobrança.
Por outro lado, quando a comunicação parte das próprias necessidades, algo se transforma. A palavra deixa de acusar e começa a construir. Surge, então, a possibilidade de uma ponte.
Comunicar, nesse sentido, exige mais do que palavras. Exige responsabilidade sobre o próprio sentir e coragem para expressá-lo. O silêncio prolongado pode erguer muros, mas a palavra, quando utilizada com consciência, tem a capacidade de atravessá-los.
Talvez comunicar não seja sobre convencer, mas sobre permitir encontros. Entre o que sinto e o que digo existe um caminho.
Lorena Araújo de Oliveira
Algumas pessoas escrevem para explicar o mundo. Eu escrevo para escutá-lo.
Sempre tive a impressão de que a vida fala — mas fala baixo. Ela se manifesta em pequenos encontros, coincidências discretas, caminhos que parecem se abrir exatamente quando aprendemos a prestar atenção.
Demorei algum tempo para entender que não se trata de controlar o destino. Trata-se de caminhar com ele.
Essas crônicas nasceram assim: da tentativa de escutar melhor os sinais que atravessam os dias comuns.
Não são respostas. São apenas fragmentos de uma conversa silenciosa entre uma mulher e o universo.
Se, ao lê-las, você também se lembrar de algum sinal que a vida já lhe enviou, então esta conversa terá encontrado mais uma voz.