por Alexis Rodrigues de Almeida
O vento soprava forte em seu rosto deixando-lhe os cabelos em desalinho. As árvores ao lado da estrada apareciam e desapareciam numa velocidade acima da permitida naquela via.
Na garganta ainda sentia o calor da bebida na qual tentara afogar sua dor. As imagens pouco nítidas denunciavam que o álcool também já chegara ao cérebro. A paisagem se modificava cada vez mais rápido. A sinuosidade da estrada tornava o controle do possante carro impossível àquela velocidade.
De repente uma forte luz tomou conta dos seus sentidos.
Agora se achava em meio ao pátio de uma escola infantil. Estava brincando com outras crianças. Os meninos e meninas se divertiam com jogos infantis. Formavam grupos para falar mal de outros grupos. Empenhavam-se em deixar claro quem estava e quem não estava com quem. Mas no fim tudo se ajeitava e voltavam a ficar de bem.
Novo raio de luz e agora se achava em um banco de praça. O casal de jovens se encontrava a sós. Olhos nos olhos, olhos na boca, boca na boca. Momento inesquecível que agora voltava com toda a intensidade, trazendo à lembrança cada mínimo detalhe. A sensação do toque na pele, o prazer de estar com quem se ama, a ternura de um abraço apaixonado.
Mais um flash e se viu entrando em casa. Chegara mais cedo. Trazia o cansaço do dia e da vida sobre os ombros. No quarto, um homem e uma mulher. Surpresa, susto, medo, dor, mágoa, explicações sem sentido.
Abandonara a casa desejando, na verdade, abandonar a vida.
No meio do asfalto frio da noite, ferros retorcidos, luzes intermitentes, pessoas gritando, sirenes de carros de socorro, cabeças meneando e gestos que indicavam não haver mais o que fazer. Era o fim.
Alexis Rodrigues de Almeida é escritor apaixonado por grandes clássicos da literatura. Autor de alguns contos publicados em coletâneas, explora temas como relações familiares, dilemas éticos, sempre buscando contar uma boa história, que traga reflexão para os leitores de uma forma prazerosa. Participou de diversas coletâneas de contos, e atualmente dedica-se a escrever sua primeira narrativa longa.