por Taíssa da Silva Daniel
Luzes piscam no ar. Passeiam. Seguem para o céu, bem longe de todos. Uma jovem mulher observa-as com atenção. Percebe como elas são coloridas, e uma certa nostalgia a contagia. Saudade de casa? Ou apenas felicidade pelas lembranças que não podem ser apagadas?
A fila anda. A sua atenção pede pelo retorno à frente, quase dando de encontro com as costas do senhor adiante. Risadas se propagam fácil pelo ambiente, enquanto crianças correm e brincam. O parque de diversão sempre traz muita alegria a quase todos.
Greicy passa fios ondulados do cabelo para trás, descobrindo uma orelha pontuda. Escuta sussurros vindo atrás de si, falando de suas assas pequenas e deformadas. Tão comuns, já está tão acostumada. Comentários sempre a acompanham. Ela é "esquisita" até para os humanos da Terra.
Os dentes mordem os lábios com força. Duas lágrimas pedem por não rolarem. A roda gigante se ilumina com o pôr do sol, à pequena distância. O céu se mostra totalmente escuro, quando a jovem finalmente consegue entrar em uma cabine e subir.
Seu artefato redondo começa a tocar ao bolso. A moça aceita seu comando, e a imagem holográfica de um rapaz de grandes asas passa a acompanha-la na cabine.
- Grey, minha migucha, esqueceu dos velhos??
- Oi, Rey. Menino, sabe que não...
- Que cara é essa??
- Estou no parque.
- Isso é cara de parque...?
- É a minha cara de parque.
- Ela é estranha... Mas me deixa falar! Passa o contato daquele seu amigo de eventos? Tenho uns conhecidos que irão visitar essas bandas, e gostaram do trabalho dele.
- Passo sim, pode deixar! Daqui a pouco, quando estiver em casa. Já te envio, tá?
- Sempre gentil! Obrigada, minha querida!!
O holograma se desfaz. O sorriso dela luta a se manter, de volta a estar sozinha na cabine. Há sentimentos que se esticam por seu peito que sua voz nunca será capaz de dimensionar a ninguém. Sentimentos que jorram cores que aquecem demasiadamente e a permitem seguir em frente, mas ao mesmo tempo, doem e enrijecem o que tocam.
Bem ao topo da roda gigante, Greicy presta muita atenção às estrelas que brilham. Seus pés se debatem ritmados e agitados. Esse momento já está acabando. O brinquedo vai parando para cada um descer, até chegar a sua vez. Hora de voltar para casa.
Enquanto caminha, mais uma vez seu comunicador toca. Não é uma ligação, dessa vez. A notificação glorifica que fazem exatos cinco anos de uma lembrança. À imagem, ela e um outro rapaz aparecem no mesmo parque, sorrindo, segurando um saco de balas na cabine da roda gigante. A moça sorri, percebe que seu cabelo estava bagunçado.
- Maiow, lembra quando fomos no parque? Hoje eu fui também. Mas não consegui brincar bem, dessa vez. Na próxima eu irei conseguir melhor, com certeza.
Esse conto faz parte do universo de "TODAS CORES", meu Romance.
Carioca, nascida em 1995 e formada na área da saúde. Desde infância tem intensa conexão com as artes. Através da escrita, mas também por meio do desenho e da dança.
Escreve principalmente ficção. Histórias que transmitam conflitos e aprendizagens humanos, por meio de personagens de outras realidades. Participa do Curso Online de Formação de Escritores.