por Dua Araújo
Era ali no quintal, no chão de cimento debaixo do limoeiro, eu e minha avó Ana sentadas na cadeira velha de madeira. Cada uma com a boca lambuzada de jabuticaba. A bacia laranja rosa cheia no colo dela, o pano de cozinha com a galinha-da-angola sempre perto. A gente conversava sobre tudo e nada, e às vezes ficava em silêncio só para escutar as histórias da rua: o grito do homem do doce, o cachorro latindo, as vizinhas fofocando na janela. Tudo parecia calma.
Quando a Dona Doninha aparecia no portão, gritando o nome da minha avó, ela sussurrava para mim: "Olha lá, a Doninha me chamando? que droga. Que mulher chata." E logo completava: "Vamos ficar quietinhas aqui", enquanto metia mais uma jabuticaba na boca. Eu desabava na risada, incapaz de controlar até o engasgo. Era impossível não rir da minha avó fugindo dela.
Hoje eu entendo que, naquela sombra do limoeiro, existia um mundo só nosso. Ali eu aprendia sem perceber que a alegria nasce do simples, que o silêncio acolhe e que observar a vida passando devagar é uma forma inteira de existir. Era só mais uma fuga da Dona Doninha, mas era também quando eu me via nela.
Estrategista de Marca · Autora · Arquiteta da Comunicação
Brand Strategist · Author · Communication Architect
Ajudo pessoas, marcas e obras a encontrar a linguagem que as faz chegar — não apenas existir.
I help people, brands and works find the language that makes them arrive — not merely exist.
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Dua Araújo é escritora, estrategista de marca e arquiteta da comunicação. Transita entre o literário e o executivo, entre o pessoal e o público — construindo narrativas que não apenas comunicam, mas transformam quem as habita.
Dua Araújo is a writer, brand strategist and communication architect. She moves between the literary and the executive, between the personal and the public — building narratives that don't just communicate, but transform those who inhabit them.
Seu trabalho reúne autores, líderes, marcas e palavras em territórios onde a linguagem é tratada como o que de fato é: a forma mais precisa de poder.
Her work brings together authors, leaders, brands and words in territories where language is treated for what it truly is: the most precise form of power.