por Rita de Cassia Rabadji
A brisa da juventude
nada pesava.
Tudo era possível.
Sonho com o mundo
novos lugares, culturas, pessoas
aventuras, relacionamentos
a idealização de viver sem amarras, independente.
O querer me impulsiona
me mostra que eu posso.
Ser possível mudar a minha realidade.
Percebi, conforme a vida foi me apresentando
que o querer nos desafia.
Luto internamente contra esse molde
sem saber ao certo como sair desse ciclo.
Mas o querer é forte em mim.
E trabalho para construir
relações
trabalho
me sentir parte.
Entro em uma dinâmica intensa
demoro a entender
o que já não cabe mais em mim.
O querer ficou sem voz.
Essa mesma rotina me lançou no mundo
me colocou em um lugar complexo e inflexível
e eu, sem nem perceber, acreditei que estava vivendo a liberdade.
Demorei muito para perceber a armadilha.
A vida ideal tão oposta da querida:
relacionamentos, família, trabalho
muitas coisas feitas, conquistadas, construídas.
Mas distantes do meu querer.
Difícil de reconhecer essa realidade
entender o que me cerca
viver o meu ser.
Mas, quando foi que deixei de querer?
Ou foi medo de me ver?
Mergulho em mim
e começo a colar cacos
cacos que machucam as mãos
mãos que levaram tempo para cicatrizar.
Um redemoinho de pensamentos.
Uma solidão em meio a tantos conhecidos.
Como ressignificar uma vida
a partir de um querer que nem entendo?
Comecei criando novas rotinas
entrando em novos espaços
trocando com novas pessoas.
Uma jornada silenciosa
de retorno a mim.
Trabalho com intenção nessa jornada
escutando o que pulsa.
Uma consciência do meu espírito livre, do meu querer:
do que sonhei um dia
do quanto caminhei
das experiências que ajudaram a construir
quem sou hoje
e o que ainda insiste.
Se pudesse escolher uma palavra seria evolução. Comecei cedo, inspirada por mulheres fortes que puderam me mostrar um caminho incrível ao qual pude ter certeza que com foco e determinação chegaria a me destacar.
Atuo no mundo corporativo há mais de 30 anos, com uma trajetória profissional em gestão de negócios e de pessoas, movida por transformação e desenvolvimento humano.
A escrita surge neste momento de maior maturidade, como um novo caminho de reconexão comigo mesma, onde elaboro experiências, sentimentos e reflexões. Escrevo para compreender, sentir e dar sentido às vivências que atravessam minha jornada.