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Os livros que marcaram os professores da Metamorfose

Os livros que marcaram os professores da Metamorfose

por Evelyn Marengo

Cada amante da literatura tem aquela obra que acendeu a paixão pelos livros ou um momento decisivo que despertou o desejo de escrever e compartilhar suas próprias histórias. Assim vamos explorar os livros que marcaram as vidas dos professores da Metamorfose.

Para muitos, o início da paixão literária remonta a um livro específico que, de alguma forma, mudou sua percepção do mundo. Seja um clássico da literatura ou uma obra contemporânea, esses livros deixaram uma marca. Além de livros específicos, muitos encontraram inspiração em momentos decisivos de suas vidas. Estes momentos não apenas influenciaram suas escolhas literárias, mas também os incentivaram a contar suas próprias histórias.

Compreender as inspirações por trás dos escritores e professores da Metamorfose nos oferece uma janela para as motivações e paixões que alimentam suas aulas e suas obras. Ao compartilhar essas histórias, esperamos inspirar outros a encontrar seus próprios livros transformadores e a explorar o vasto mundo da literatura.

- Wlange Keindé: Os livros que me fizeram leitora foram vários do Pedro Bandeira, mas principalmente a série Os Karas, que li na virada da infância para a pré-adolescência. Mas uma leitura que fiz posteriormente e que me marcou demais como escritora foi de quatro livros da Hilda Hilst (na foto abaixo) que li em sequência: a trilogia obscena e Tu não te moves de ti. Ler Hilda expandiu muito minha visão sobre a criação literária


- Carol Magalhães: Na infância lembro de Ou isto ou aquilo, Café com pão, bolacha não e Os Fantasminhas do Morro Ricaldone. Um pouco maior lembro de ter me emocionado lendo Olhai os lírios do campo. E alguns livros abriram a minha cabeça (ou bugaram): O Mundo de Sofia, O Dia do Coringa e Profecia Celestina.

- Arthur Menezes: Depois de escrever meu primeiro romance, precisei entender o que aquele livro significava para mim. Posso situar dois livros importantes para aquele contexto tão específico. O primeiro é "Sou um desastre com as mulheres", de Jake Halpern. Foi importante ler uma obra que dialogava com a minha porque isso me deu confiança. Adorei a leitura e vi semelhanças com o que eu havia escrito; então, foi como uma chancela. Depois, "Dom Casmurro". Acho que seria uma obra impactante em qualquer momento e talvez seja meu livro favorito agora. Mas, naquele momento, serviu para me incentivar a melhorar como escritor. Machado é tão incrível que me constrange pensar que temos o mesmo ofício.

- Kethlyn Machado: Minha perspectiva de tempo não é das melhores, dificilmente me recordo dos começos, fins e meios, tudo se mescla em uma nova dimensão, não linear e turva. Talvez seja por isso que histórias que mexem com o tempo me encantem tanto: esticando-o, dobrando-o, indo, voltando, às vezes linear, circular, e em manifestações que a nossa mente ainda não consegue compreender. É assim que se perde a guerra do tempo, narrativa longa epistolar de Amal El-Mohtar e Max Gladstone, não é só mais um livro sobre viagem no tempo. Eu senti um frescor, é tão bonito, tão poético, inesperado e cativante. A correspondência improvável entre duas agentes de facções rivais é o nosso caminho nessa narrativa ? improvável, fantasioso e ficcional; e que, mesmo não fazendo muito sentido, me senti compelida a continuar/trilhar. O fato de termos dois autores deixa esse romance epistolar ainda mais rico, com as vozes de Amal, Max, Red, Blue, e a nossa (dos leitores). O que transcende tempo e espaço? Será que as nossas protagonistas vão conseguir mudar o passado para garantirem um futuro juntas? É assim que se perde a guerra do tempo é, com certeza, um dos meus livros favoritos da vida, com tradução da tradutora e escritora premiada Natália Borges Polesso  

- Ana Mello: O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde. Foi o primeiro livro que me fez ter pesadelos. O pacto pela juventude eterna, o corpo permanecendo impecável enquanto a alma apodrecia, instigou muito minha imaginação. Descobri como era perturbador e sem limites o que um escritor podia criar.

- Rubem Penz: Ah, fácil! O Analista de Bagé! Mas tem outro, também importante: As cidades invisíveis,  de Ítalo Calvino

- Bruna Tessuto: Sempre que me fazem uma pergunta nessa linha eu respondo que foi "Menina Nina", do Ziraldo. Eu tinha 9 anos quando li e foi a primeira vez que conectei a literatura com o que eu estava passando na minha vida. Então foi a primeira vez que a literatura me abraçou e que eu entendi o poder de conexão entre vida e arte.  O livro conta a história da Nina, uma menina que se depara com a morte da sua vó Vivi. Meus pais compraram o livro porque a minha vó estava para morrer e eu ainda não sabia. Quando meus pais leram o livro comigo, lembro de olhar para os dois e perguntar: a vó vai morrer? E eles me falaram que ia. O livro foi a forma que encontraram de me contar. A Nina, naquele momento e naquelas páginas, se tornou minha amiga, porque ela entendia o meu sentimento. O interessante nisso também é que o livro é uma ficcionalização da realidade, uma vez que o Ziraldo escreveu quando a esposa dele, vó da Nina, faleceu. Quis a vida que, muitos anos depois, eu também escrevesse autoficção.

- Marcelo Spalding: O Xangô de Baker Street, Jô Soares; Não foi o livro que iniciou meu gosto pela literatura, sempre gostei de ler a Série Vagalume. Mas lembro de ter lido esse livro com uns 12, 13 anos e dizer que foi "o primeiro livro sem imagens que li". Por isso sou a favor de incentivarmos o romance de entretenimento, ele abre portas.

Evelyn Marengo

Evelyn Marengo é uma estudante de jornalismo, fotógrafa, editora, cronista, colunista, capista e produtora de conteúdo, com textos publicados nos sites Escrita Criativa e Plataforma de Escritores. Com interesses como: literatura, cinematografia, marketing, fotografia, escrita e comunicação em geral. Experiências em meios artísticos como teatro (atuação, direção, produção de roteiro, coreografia e canto), escrita criativa, assessoria de imprensa, fotografia, escrita jornalística, edição midiática e produtora de conteúdo independente.