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Paródia do poema Canção do Exílio

Paródia do poema Canção do Exílio

por Ana Cristina Sampaio Alves

Paródia do poema Canção do Exílio

Meu carro tem mais quilômetros

Que eu posso suportar

A porta já não trava

E tá caro consertar.

 

Quando chove, chove dentro.

Meu sapato que o diga. 

Se o pneu derrapa,

Juro que meu coração palpita.

 

Já não o levo à oficina

Pois a conta me assusta.

Trocá-lo? Impossível.

Seria uma grande saia justa.

 

Meu carro tem nome próprio

É como um membro da família. 

Conheço seus trejeitos

E suporto suas manias.

Já foi bonito e saudável.

Hoje não tem garantia. 

 

Não permita Deus que eu morra

Num acidente fatal.

Que meu carro me proteja

De todo lamaçal.

Pois ainda fico com ele

Até o próximo carnaval.

Ana Cristina Sampaio Alves

Ana Cristina Sampaio Alves escreve desde a infância. Ainda criança, já se considerava uma novelista, mesmo que as histórias fossem um misto de contos de fadas com personagens reais. Escolheu o jornalismo como profissão, o qual a permitiu transitar por todo tipo de texto, desde os mais técnicos até os mais criativos, em diversos segmentos de mídias. Continua explorando a escrita e agora se aventura na literária, tendo publicado alguns contos e dezenas de crônicas. Esse é o gênero em que melhor transita. 

Embora não tenha ainda publicado narrativas longas, já participou da edição de coletâneas de contos. Segue buscando aprimorar o texto que emociona e traz reflexão. Participa do Curso Online de Formação de Escritores.