por Ana Cristina Sampaio Alves
O Rio de Janeiro é, definitivamente, mais bonito em cima de uma bicicleta. Amante das cicloviagens - já fiz catorze delas no Brasil e no exterior -, decidi me juntar a um grupo de ciclistas paulistas para subir até o Cristo Redentor num sábado ensolarado do mês de maio.
Nosso grupo de 40 ciclistas saiu da Rua do Catete e seguiu pelo Cosme Velho e Ladeira dos Guararapes em direção ao Corcovado. O Rio é conhecido por seus morros, motivo pelo qual dispensável dizer que não se trata de um passeio no parque. Sempre subindo, passamos pela entrada do Mirante Dona Marta, onde já se pode apreciar as paisagens do alto da cidade.
A altimetria ali começa a ficar mais forte e exigir preparo físico, como na Estrada Redentor, Estrada das Paineiras, até chegar ao máximo da inclinação na Estrada do Corcovado. Para alcançar a entrada da escadaria do Cristo (que tem 200 degraus), é preciso pedalar por curvas sinuosas e dividir o espaço com as vans que levam os turistas. Aqui e ali, um mirante para apreciar a vista.
Após cerca de duas horas e meia, o esforço é recompensado e chegamos à base do monumento, onde deixamos as bicicletas e subimos para apreciar a vista espetacular da cidade e tirar a famosa foto aos pés da estátua.
Mas o passeio não terminou aí. Após um lanche reforçado no centro de visitantes do Corcovado, pedalamos em direção à Floresta da Tijuca, em um sobe e desce que todo ciclista ama, como na Estrada do Sumaré e na Vista Chinesa. Em compensação, há trechos de downhill que põem à prova os freios e exigem perícia do piloto. Foi ali que uma atleta holandesa de ciclismo de estrada perdeu o controle da bicicleta e foi hospitalizada durante a Rio 2016.
Pedalar pela Floresta da Tijuca é uma das experiências mais bonitas e agradáveis que se pode ter. Quase todo sombreado, respira-se o ar úmido e o vento fresco de maio. As paradas incluíram os mirantes da Mesa do Imperador, onde há uma mesa de pedra que servia de ponto de repouso nos passeios da família imperial, e a famosa Vista Chinesa, construída em 1903 em homenagem aos trabalhadores da China que chegaram ao Brasil para o cultivo de chá. Dali, seguimos em trechos fortes de descida até a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Lá, o passeio se transforma na mais linda contemplação das ciclovias cariocas, que, aliás, somam 450 km, tornando a cidade a terceira do país nesse quesito, atrás de São Paulo e Brasília. Da Lagoa, pedalamos até Copacabana e praia do Leme, cruzamos o Túnel Novo e chegamos à praia de Botafogo, ao Aterro do Flamengo e de volta ao ponto inicial. Foram 52 km em 1.020m de ganho de elevação. Então, que tal uma aventura de bicicleta na cidade maravilhosa?
Ana Cristina Sampaio Alves escreve desde a infância. Ainda criança, já se considerava uma novelista, mesmo que as histórias fossem um misto de contos de fadas com personagens reais. Escolheu o jornalismo como profissão, o qual a permitiu transitar por todo tipo de texto, desde os mais técnicos até os mais criativos, em diversos segmentos de mídias. Continua explorando a escrita e agora se aventura na literária, tendo publicado alguns contos e dezenas de crônicas. Esse é o gênero em que melhor transita.
Embora não tenha ainda publicado narrativas longas, já participou da edição de coletâneas de contos. Segue buscando aprimorar o texto que emociona e traz reflexão. Participa do Curso Online de Formação de Escritores.