por Vilma Toloto
O rio Jequitinhonha que começa lá pra cima de Minas
e vem serpenteando até desembocar em Belmonte,
é como uma cobra d'água velha, sabida,
que conhece cada dobra da vida e dos montes.
Nas beiradas do rio tem pescador,
tem lavrador que reza pra chuva cair,
tem menino corajoso pulando da pedra,
e a rede armada só esperando o entardecer.
O rio Jequitinhonha que começa lá pra cima de Minas
e vem serpenteando até desembocar em Belmonte,
leva com ele o suor das mãos curtidas,
os causos contados de um povo valente.
Água barrenta que dá rumo às procissões e faz a fé brotar.
O rio Jequitinhonha que começa lá pra cima de Minas
e vem serpenteando até desembocar em Belmonte,
é espelho do céu nos dias sem pressa,
é ponte até Belmonte quando entrega o que leva:
poeira de sonho, saudade e luar.
Ele beija o Atlântico como quem volta
para o colo da mãe, para o seu lugar.
Vilma Toloto, natural de Ourinhos-SP, é Pedagoga, pós-graduada em Psicopedagogia (PUC-SP) e em Recursos Humanos (PUC-Chile). Desde a infância, encontra na leitura e na escrita um espaço de prazer e crescimento.
Na adolescência, passou a escrever poesias e contos, paixão que segue cultivando e aprimorando por meio de estudos contínuos. Teve experiências no teatro, que influenciaram seu olhar narrativo.
É autora do conto "Cartas que o tempo não apagou", publicado na coletânea "Toda forma de amor" (Editora Metamorfose). Em 2026, finalista da Flip Off, com o conto "A Carta de Celina", e da Festa Literária Internacional de Paraty, com o conto "Domingo", na antologia NÓS 4.