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Sem racismo

Sem racismo

por Ana Cristina Sampaio Alves

Sem racismo

Eu gosto de preto. Nos Estados Unidos, gosto de dizer: black! E tem que ser forte. Nada daqueles pretos aguados. Tem que ter cheiro forte também. A verdade é que, para mim, a vida sem um pretinho não tem a menor graça.  

Minha mãe foi quem me ensinou: preto todo dia. Lá em casa era assim. E minhas irmãs seguiram a tradição da família. Todas nós gostamos e não ficamos sem. Tem gente que chama isso de vício. Pode até ser, mas me faz bem e pronto!

Hoje em dia está até virando moda. Todo mundo, que conhece as boas coisas da vida, aprecia. Como sou eclética, gosto do meu de várias formas. Só faço uma exigência: tem que ser do bom. Vou até os confins, pago o quanto quiserem, mas meu pretinho tem que ser de qualidade superior.

Para isso, tem que vir de uma boa fazenda. Há que conhecer a procedência. Se não, a experiência não presta, tem gosto amargo. Os melhores, para mim, são os brasileiros mesmo, embora haja estrangeiros que valem a pena provar.

E o que falar dos acessórios? Nossa, há tantos para incrementar a experiência, torná-la única, que acabamos por nos deleitar de mil maneiras diferentes. Cada dia, escolho uma nova forma de provar o meu pretinho. Só tem uma da qual não abro mão: tem que ser puro, como um puro-sangue. E bem quente.

Por isso, ensino às minhas filhas que um preto gostoso e cheiroso não pode faltar nas nossas vidas. Ele nos acorda para um dia mais feliz, nos deixa super ligadas, ajuda a produzir hormônios do prazer, excita nossas papilas gustativas. E tem seu charme, afinal.    

Eu decretei lá em casa há muito tempo: café de garrafa térmica nunca mais!

 

   

Ana Cristina Sampaio Alves

Ana Cristina Sampaio Alves escreve desde a infância. Ainda criança, já se considerava uma novelista, mesmo que as histórias fossem um misto de contos de fadas com personagens reais. Escolheu o jornalismo como profissão, o qual a permitiu transitar por todo tipo de texto, desde os mais técnicos até os mais criativos, em diversos segmentos de mídias. Continua explorando a escrita e agora se aventura na literária, tendo publicado alguns contos e dezenas de crônicas. Esse é o gênero em que melhor transita. 

Embora não tenha ainda publicado narrativas longas, já participou da edição de coletâneas de contos. Segue buscando aprimorar o texto que emociona e traz reflexão. Participa do Curso Online de Formação de Escritores.