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Silenciosamente...

Silenciosamente...

por Virgínia Maura Martins Ferreira

 

         Eu ouço passarinhos cantando quase todas as manhãs e, de repente, aprecio o voo de uma borboleta preta e amarela. Gosto de vê-las pousar nas flores. Lentamente, percebo o vento que chega devagar e vejo as flores desabrochando neste jardim, neste pedaço de chão, neste lugar onde estou agora.

        Posso tomar água de coco aqui a qualquer hora. As horas passam e me deixam com o desejo de viver, de fazer e experimentar coisas novas. Quero ver o mundo do outro lado, além do horizonte.

        Mas o que será que existe além do horizonte? "Além do horizonte, deve ter algum lugar bonito pra viver em paz, onde eu possa encontrar a natureza, a alegria e felicidade, com certeza".

        Um avião passa cortando o céu lá em cima, e eu me sinto dentro dele, com asas de pássaros, desejando voar mais longe, muito longe. Mas para onde? Para dentro das nuvens, brincando com o branco e o azul em formas de figuras voando, voando...

       A chuva caiu hoje aqui, nesta cidade onde estou agora. Muita água caiu do céu, com tanta força que parecia querer limpar as almas das pessoas deste planeta.

       Sentada no banco deste jardim, aprecio a chegada de um beija-flor. O mundo aqui é bem melhor. Quando eu era criança, há muito tempo, eu costumava colocar a mão no coração para ter certeza de que ele estava batendo.

       Depois, percebi que não precisava colocar as mãos para sentir as batidas do coração, porque eu estava viva mesmo assim e ele continuava batendo. E eu me sentia feliz. Acho que era medo de morrer, porque eu gosto de estar viva. Viver é bom. É melhor ainda quando vivemos em equilíbrio, em paz e com tranquilidade.

      O homem sem propósitos é como um barco sem leme: ele não sabe para onde vai. Não tenho mais medo de morrer, porque agora sei para onde vou e quem estará comigo:  aquele que sempre esteve ao meu lado o tempo todo. O Senhor é amigo de quem o respeita, lhe obedece e guarda os seus ensinamentos. Aproxime-se de Deus enquanto é tempo, e Ele se aproximará de você.

      As horas passam... e o sangue ainda corre nas minhas veias. Estou viva. A grama está verde e alta aqui no jardim, neste lugar onde estou agora. É impressionante como a grama cresce tão rápido, assim como cresce a minha esperança de um mundo melhor, onde não haverá mais guerras, violência, injustiça, vírus e fome. Fazer o bem faz bem. A esperança nunca deve morrer. A esperança é como uma pequena árvore que vai crescendo, crescendo. E um belo dia, floresce e dá frutos.  [Um dia qualquer de 2016]

Virgínia Maura Martins Ferreira

Jornalista, escritora e instrutora de yoga, apaixonada pelo poder das palavras. Seu maior encanto é a aventura pelo mundo da literatura infantojuvenil. Já tem nove livros publicados: sete em prosa e dois de poemas. Também escreve contos e crônicas, alguns já  publicados em Antologias e jornais locais. Gosta de usar seu tempo para orar, ler, escrever e cuidar da casa. Encontra prazer no silêncio, na comida saudável, na yoga, na meditação, em caminhar ao ar livre, e em apreciar árvores, flores, pássaros e animais, além de tomar banho de mar e de cachoeira.