por Virgínia Maura Martins Ferreira
Sento-me em frente ao computador e vejo apenas a tela em branco do Word diante de mim. Quero e tento escrever algo, mas nada vem à minha mente. Acho que perdi a vontade de falar, de discutir e de comentar sobre os acontecimentos do mundo. O que adianta se rebelar se tudo continua como sempre esteve? Nada mudou, apenas o tempo que passa rápido demais, nos arrastando com ele.
Batida na porta da frente é o tempo. Ele ri porque sabe passar, e eu não sei. Esse é o tempo que passa a 300 quilômetros por hora, voando e levando a vida. Não posso parar o tempo, tento então caminhar com ele, aproveitando ao máximo o que tenho ao meu redor. O tempo leva tudo; até os sonhos ficam para trás.
O tempo me observa, querendo aprender, mas eu não sei. Tento fechar as janelas, mas ele entra e me deixa sem graça. O tempo vai e volta; ele sempre vem, chega e se apodera de nós, nos levando como um furacão, levantando os telhados das nossas lembranças e causando inundações e sofrimentos.
O tempo me aprisiona, mas eu me liberto. Eu corro contra o tempo para que ele não me veja. O tempo é finito e passageiro, como o voo das borboletas amarelas em uma tarde de verão. O tempo traz e também leva as manhãs, as tardes e as noites, além da primavera, do verão, do outono e do inverno. O tempo leva muito de nós.
O tempo é a vida se esgotando, tão curta, tão rápida e tão breve como o pôr do sol. Eu brigo com o tempo e não ouço quando ele me chama. Fico de mal, mas ele sempre está ali, me observando.
O tempo é uma brisa suave, e a vida é um vinho doce daqueles das adegas mais antigas da ilha da Madeira, que todos querem saborear. Meu coração bate feliz. Quem sabe, um dia, na estrada do sol, eu percorra toda a minha vida, de volta ao começo. Há dias em que estou a divagar. [17 de novembro de 2008]
Jornalista, escritora e instrutora de yoga, apaixonada pelo poder das palavras. Seu maior encanto é a aventura pelo mundo da literatura infantojuvenil. Já tem nove livros publicados: sete em prosa e dois de poemas. Também escreve contos e crônicas, alguns já publicados em Antologias e jornais locais. Gosta de usar seu tempo para orar, ler, escrever e cuidar da casa. Encontra prazer no silêncio, na comida saudável, na yoga, na meditação, em caminhar ao ar livre, e em apreciar árvores, flores, pássaros e animais, além de tomar banho de mar e de cachoeira.