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Um encontro no astral

Um encontro no astral

por Renato César Batista dos Santos

Aguardava o esperado dia. Passava o tempo caminhando a passos curtos, mas chegou, e agora aguardo aquela amiga naquele local, um pouco movimentado, onde a demora é rara. Normalmente, as pessoas chegam, olham, pedem, saciam e saem mais alegres do que chegaram. Hoje, comem de tudo, um pão de queijo com ou sem café, sucos, empadas, pizzas, doces, pudins e uma infinidade de outras coisas que fogem da minha limitada imaginação.

Acontece que já havia observado aquele movimento de pessoas que chegavam sozinhas, a maioria, e outras acompanhadas de adultos ou crianças. O que chamava atenção era a companhia de animais domesticados, que normalmente são levados: cães, papagaios, periquitos, coelhos, gatos e outros exóticos que minha ignorância ainda não permite conhecer.

Quando me dei conta, percebi que a minha amiga já havia chegado e estava entre aquelas pessoas. Estava sentada em uma mesa retraída, deliciando-se com um prato de alguma coisa parecida com lasanha. Estava bem próxima dali, a uns dez metros. Aproximei-me e nos cumprimentamos, começamos a falar daquelas coisas de início de conversa, tipo relembrar algo acontecido há pouco tempo em nossas vidas e não comentado ou banalidades.

Neste intercâmbio com o passado, observei uma mãe jovem que entrava com um bebê, um ano ou pouco mais de idade, carregando-o no colo. Ele chorava bastante e a mãe o girava de um lado para o outro, como se estivesse tentando localizar com uma lente de telescópio algum astro na imensidão do céu. Firmei a atenção e o bebê pareceu ter captado um OVNI em seu radar e passou a me observar com a sua antena fixa em minha direção, logo parou de chorar.

Parei e tentei imaginar o que aquele pequeno ser estava avaliando. A mãe saiu da padaria e o levou em seu colo, ele continuou com o seu radar fixo em mim. Ela ficou mais calma e eu, calado, introspectivo. Minha amiga perguntou onde eu estava e, na verdade, não sabia dizer onde e nem o que estava fazendo. Conversamos e depois fui embora, procurando no céu claro alguma estrela que pudesse me explicar o que havia acontecido.

Renato César Batista dos Santos

Nascido no estado da Bahia, assumiu carreira no serviço público em Brasília onde permaneceu por quase trinta anos. Escreveu poesias, crônicas e contos publicados em revistas eletrônicas.