por Bruna Tessuto
Em Salvador, Bahia, ao visitarmos a casa em que viveu Jorge Amado (foto), temos acesso a uma das maiores intimidades que uma pessoa pode ter: as cartas que recebeu ou enviou. Em uma das mais interessantes ali disponíveis, temos a enviada por Erico Verissimo. Nela, o autor de O Tempo e o Vento confessa para o amigo que está em crise com a obra. "Terá de aparecer em três volumes, por causa do número de páginas (1000), pois o preço dum único volume seria insuportável para o comprador. Há dez anos que esse livro me chateia, me preocupa, muda a minha vida. Devo a ele a ansiedade que determinou a alta da minha pressão arterial, que por sua vez originou o acidente cardíaco."
Todas as cartas são ridículas? Fernando Pessoa diria que as de amor sim, mas mais ridículas são as pessoas que nunca as escreveram. Podemos acrescentar, usando a carta de Erico como exemplo, que cartas são reveladoras, íntimas, apresentam ponto de vista e muitas vezes trazem fatos inéditos para o personagem que a recebe – ou para o leitor que a lê. São, por isso, bastante usadas em narrativas longas. Clarice Lispector, por exemplo, tem um livro só de cartas enviadas por ela. Afinal, as cartas também contam histórias.
DICAS PARA USAR CARTAS EM NARRATIVAS LONGAS
Bruna Tessuto formou-se em Teatro pela UFRGS e é graduanda em Letras pela mesma universidade. Atua como editora e promove mentorias em parceria com a Metamorfose, onde também coordena grupos de leitura e escrita e atua como professora no Curso de Formação de Escritores, do qual é egresssa. Lançou os livros "Os bastidores de Emma" (2018), "Pela voz delas" (2022) e "Até que o divórcio vos reúna" (2024), todos com ficcionalização de histórias reais. É vencedora do Prêmio Minuano de Literatura 2025 - categoria Juvenil. Desde 2020 interpreta a fantasma Dulce Miranda nas Visitas Guiadas do Theatro São Pedro.