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Você já parou para pensar como fica a sua vida digital após a sua morte?

Você já parou para pensar como fica a sua vida digital após a sua morte?

por Graziana Fraga

Você já parou para pensar como fica a sua vida digital após a sua morte?

Nossas fotos, documentos, contas e redes sociais também fazem parte da nossa história. Mas você já decidiu o que acontecerá com tudo isso quando não estiver mais aqui?

Trabalho com comunicação digital desde que me formei, em 2005. Desde então, uma grande revolução aconteceu — e continua acontecendo — na comunicação.

A internet, o e-mail e as redes sociais transformaram completamente a maneira como nos relacionamos, trabalhamos e compartilhamos informações. Hoje, todos nós podemos ser um canal de comunicação, algo que meus professores falavam e que eu ainda não conseguia imaginar lá no ano 2000. Quando entrei na faculdade, existiam apenas o jornal impresso, o rádio, a TV e o cinema. E, claro, o início da internet, com os sites e blogs.

Mas aqui estamos. O mundo como a gente conheceu — nós que nascemos até a década de 1980 — não existe mais. E, nesse novo mundo, nós podemos deixar um legado digital.

Você já ouviu falar em legado digital?

Eu já tinha ouvido e lido um pouco sobre isso, mas me aprofundei no assunto depois de ouvir o podcast "Pra Quando Eu Morrer", um projeto do Tom Almeida, do Movimento inFINITO.

Esse podcast me chamou a atenção porque minha mãe faleceu há um ano. Não sei você, mas, quando eu vivi a maior perda da minha vida, passei a pensar muito mais sobre a minha finitude.

Minha mãe não era uma usuária ativa da internet, mas tinha um perfil no Facebook e no Instagram. Eu só tinha a senha do Instagram, então consegui acessar e excluir a conta. Já no Facebook, precisei entrar em contato com a plataforma, enviar a certidão de óbito e meu documento para conseguir transformar o perfil dela em memorial. Foi justamente durante esse processo que descobri que cada plataforma possui regras diferentes para lidar com o falecimento de um usuário.

Diferentemente dos nossos bisavós e até dos nossos avós, nós temos uma vida no digital. Temos dados, perfis, contas, arquivos, senhas e informações. Ou seja, temos um legado digital.

E o que você gostaria que fosse feito com esse legado?

Você possui assinaturas como Netflix, Spotify, Amazon Prime ou outras?

Talvez também tenha um canal no YouTube que gere renda, investimentos, contas bancárias ou até dívidas.

Além disso, existem documentos, fotos e vídeos. Onde você guarda tudo isso? No Google Drive? No iCloud? E quem vai herdar ou cuidar de tudo isso?

Sem contar os perfis nas redes sociais: Instagram, Facebook, TikTok, LinkedIn e tantas outras.

Cada plataforma possui uma política específica para os casos de falecimento do usuário. Confira as regras das principais:

Google: configure seu legado digital

· Clique na foto do seu perfil e acesse Gerenciar sua Conta do Google.

· Depois, clique em Dados e privacidade.

· Procure Seu legado digital.

Ali você pode decidir o que acontece com sua conta do Google quando ela ficar inativa por um determinado período ou em caso de falecimento.

Você pode definir:

  • quem poderá baixar os seus dados;
  • permitir que até 10 pessoas recebam uma cópia dessas informações;
  • quando isso acontecerá.

O Google permite configurar esse prazo para 3, 6, 9, 12, 15 ou 18 meses de inatividade.

Também é possível criar respostas automáticas que serão enviadas depois de um determinado período sem acesso à conta.

Facebook: transforme seu perfil em memorial

Acesse Configurações e privacidade > Central de Contas > Gerenciar contas > Gerenciar.

Ali você pode decidir o que acontecerá com seu perfil após o seu falecimento.

Uma das opções é transformar o perfil em memorial.

Instagram: escolha um contato herdeiro

O mesmo caminho do Facebook vale para o Instagram, já que ambos utilizam a Central de Contas.

Você pode optar pela transformação do perfil em memorial.

Para ajudar seus amigos e familiares a manterem suas lembranças, é possível definir um contato herdeiro, que poderá gerenciar seu perfil memorial após seu falecimento.

Caso você não queira que o perfil permaneça no ar, também pode determinar que ele seja excluído.

O contato herdeiro poderá atualizar a foto do perfil e gerenciar as marcações, mas não poderá publicar em seu nome, enviar mensagens nem acessar suas conversas.

Também é possível autorizar essa pessoa a baixar uma cópia do conteúdo que você compartilhou no Instagram.

É importante ter uma lista de todas as suas contas, assinaturas e redes sociais e decidir o que deve ser feito com cada uma delas.

Apple: crie um Contato de Legado

Na Apple, você pode adicionar um Contato de Legado, ou seja, uma pessoa escolhida para acessar determinados dados da sua conta após o seu falecimento.

Para solicitar esse acesso, será necessário apresentar a chave de acesso gerada quando o contato foi cadastrado e a certidão de óbito.

Android: organize seus acessos

No Android, não existe uma única ferramenta equivalente ao Contato de Legado da Apple que dê acesso ao aparelho inteiro.

Em vez disso, é preciso configurar individualmente os serviços que você utiliza, como a conta do Google e as redes sociais, para que pessoas da sua confiança possam acessar os seus dados quando necessário.

Sugiro que você ouça o podcast "Pra Quando Eu Morrer", ele ajuda muito a refletir sobre essas e outras questões.

Além disso, no material disponibilizado pelo Movimento inFINITO, há uma sugestão de leitura que vale a pena pesquisar: Legado Digital: conhecimento, decisão e significado — viver, morrer e enlutar na era digital, de A. Nazaré P. Jacobucci.

Para escrever este texto, utilizei como fonte o material disponibilizado no grupo criado pelo Movimento inFINITO, com todas as informações sobre legado digital e os tutoriais aqui compartilhados.

A morte continua sendo um assunto difícil. Talvez por isso a gente adie conversas como essa. Mas organizar o nosso legado digital é, acima de tudo, um gesto de cuidado com quem fica. É uma forma de evitar burocracias, preservar memórias e garantir que a nossa vontade seja respeitada quando não estivermos mais aqui.

Sei que não é fácil pensar sobre isso, mas reflita sobre a importância de organizar o seu legado digital. Tenha uma lista das senhas dos seus perfis, contas bancárias, assinaturas e demais serviços digitais, anotada em um caderno ou armazenada em um arquivo protegido por senha, cuja existência seja conhecida por uma pessoa de sua confiança.

Assim, sua vontade em relação ao destino desse legado digital poderá ser respeitada após a sua morte.

 

Graziana Fraga

Graziana Fraga é especialista em planejamento de marketing digital e criação de conteúdo para redes sociais, com mais de 20 anos de experiência na área da comunicação. Fundadora da Tecer Comunicação, agência criada em 2009, construiu sua trajetória unindo estratégia, criatividade e relacionamento para fortalecer marcas e conectar empresas aos seus públicos.

É graduada em Relações Públicas pela UFRGS, possui especialização em Assessoria de Comunicação pela UNISC e MBA Profissional em Gestão e Marketing pela ESAB. Desde 2015, ministra oficinas de Planejamento de Marketing Digital e Criação de Conteúdo para Redes Sociais, compartilhando conhecimentos e experiências com profissionais, empreendedores e organizações.

À frente da Tecer Comunicação, atua diretamente no atendimento aos clientes, no planejamento estratégico e na produção de conteúdo, desenvolvendo soluções personalizadas que contribuem para o posicionamento, a visibilidade e os resultados de cada projeto.

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