Quem era criança nos anos 80 sabe muito bem que o Homem-Pássaro não gostava de lugares escuros. Até porque os seus poderes vinham da luz do sol. Logicamente, seus inimigos sempre tentavam derrotá-lo privando-o da luz. Lembro de um episódio em que ele vai atrás do bandido, mesmo sendo óbvia a armadilha que o aguardava. Acabou preso em uma cela no interior de uma montanha, bem longe da luz solar. Mas ele conseguiu vencer. Como? Com a ajuda de seu parceiro, a águia Vingador, que fez o vilão atirar raios contra as paredes, criando brechas para a luz do sol entrar e revitalizar o herói.
É preciso coragem para lutar nossas batalhas. Entrar nesses lugares escuros que precisamos enfrentar, sabendo que o medo não vai desaparecer, que o coração vai acelerar e a boca vai secar. O Homem-Pássaro foi valente, é claro. Mas também contava com um bom amigo para ajudá-lo nos piores momentos. Ter alguém assim ao nosso lado é fundamental. Muitas vezes, ele será o único capaz de nos resgatar da escuridão.
Na verdade, a gente até pensa que não tem uma dessas águias para nos ajudar. Mas existe uma, bem lá no fundo da nossa caverna. Quando somos gentis conosco mesmos, ativamos esse nosso aspecto interior. A autogentileza é uma forma poderosa de provocar as primeiras brechas nas paredes da nossa cela escura, fazendo a luz entrar. Gradualmente nos fortalecemos para voar de novo ou pedir a ajuda de que necessitamos para sair transformados desse lugar.
Não é interessante como uma história de fantasia com super-heróis, por exemplo, pode nos levar a refletir sobre assuntos como esse?
André B. Ferreira é escritor, revisor em formação, servidor público, licenciado em Letras, especialista em Estudos da Linguagem, terminando o Curso de Formação de Escritores, da Metamorfose. Entende que boas histórias são capazes de transformar as pessoas e o mundo ao seu redor. Escreve Fantasia Urbana para jovens leitores, misturando realismo e imaginação em jornadas sobre coragem, pertencimento e transformação. Também escreve contos que vão do humor ao terror.
Teve contos publicados em antologias do concurso Histórias de Trabalho, da Secretaria de Cultura de Porto Alegre/RS nos anos 2007 e 2012 e, em 2019, no livro Sementes, resultado do Primeiro Concurso Nacional de Contos do TRE/PR.
Atualmente, trabalha em uma nova história de fantasia urbana para publicação.