por Angela S. Quintans
Sempre que buscava alguém para conversar, era ali que vinha descobrir um novo sentido para sua existência. Debruçava-se sobre o leito do lago e ficava horas mirando-se, tentando entender o que aquele reflexo que o fitava queria dizer-lhe. Quando seus braços, pernas e costas começavam a doer, ele deitava de barriga para cima e fitava o firmamento.
Firmamento! Que palavra estranha e, ao mesmo tempo, tão emocionante para se refletir. Havia muito tempo, na época das grandes explorações espirituais, os homens subiram aos céus em busca do Criador de tudo. Será que se sentaram ao lado do Pai, como muitos pregavam que era o direito dos homens? Ele, assim como os homens de agora, não conseguia se lembrar, pois havia se passado muito, muito tempo. O Pai, ele nunca O havia visto, mas "sabia" que Ele era a causa e ele próprio, a consequência — bem, pelo menos era o que lhe haviam ensinado. Cada um de nós era Sua consequência e, como tal, cada um estava presente nesse tempo com a semente do propósito Dele. Semente. Por isso ele estava aqui há meses. Isso o afligia. Mas e se não a encontrasse? Besteira! Todos acabavam encontrando! Era o que os mais antigos falavam. Era preciso muita paciência e perseverança. Não era à toa que vários enlouqueceram e se transformaram em seres robóticos, movidos por regras e agendas a serem seguidas cegamente. Eles haviam interrompido a busca. O bom é que a Busca é eterna! Sempre se pode voltar para a "estrada". Ele podia perceber isso agora. Seria o propósito de certas pessoas a alienação permanente (enquanto estivessem usufruindo dessa matéria)? Algo em que pensar mais tarde. O interessante é que essas pessoas acreditam que o mundo começa e termina fora delas. Enfim, este, de alguma maneira, deve ser um propósito. É verdade que houve o despertar, mas até agora nada de propósitos!
Um vento varreu a superfície do lago. Com o corpo relaxado, ele voltou a olhar o firmamento. Lindo. Mas precisava voltar a fitar aquele que se refletia no lago. Era nele que estava a resposta.
Sou uma aprendiz da escrita movida pelo desejo de provocar reflexões e despertar a curiosidade por meio das histórias que povoam a minha mente e daquelas que nos rodeiam todos os dias. Fascinam-me os símbolos, as camadas invisíveis das relações humanas e a maneira como um detalhe aparentemente simples pode carregar significados profundos. A realidade alimenta a ficção e vice-versa, e é nesse diálogo que encontro inspiração para escrever. Gosto de contar histórias que atravessam essas diversas camadas.
Estou construindo meu caminho na literatura, explorando contos, crônicas e poesias que unem emoção, sensibilidade e reflexão, convidando o leitor a ser autor daquilo que encontra nas entrelinhas.