Acordo muito cedo e vou fazer minha corrida matinal. Todos os dias, na orla de Ipanema, o sol nascendo naquele astral que energiza o meu corpo e minha mente para mais um dia de trabalho.
Mas de uns meses para cá, tenho uma motivação adicional.
Diariamente, entre cinco e meia e seis horas da manhã e sempre no Posto 11. O Sol nascendo no mar. A mãe vem carregando no colo o filhinho de talvez um ano e meio ou pouco mais. Linda, alta, loira e super dedicada ao seu pequeno, brincando com os cachorros que cruzam no calçadão. Os dois olhando as gaivotas , as ondas no mar, a Lua que ainda está no céu. O menino abanando e mandando beijinhos com as suas mãozinhas para as pessoas que passam.
"Eu? Já ganhei mais de um beijo!"
E como, num ritual, sempre sorrindo, ela o levanta bem alto. Ele, um sorriso só.
Ela agradece Sol pela alegria, paz e saúde de seu filho.
Neste exato momento, quando cruzo correndo por eles não sei explicar, parece que fico mais leve. O tênis começa a flutuar como que impulsionado por uma força adicional. Os ruídos do vaivém dos carros desaparecem, um silêncio, nada perturbando. Somente aquela sensação de correr nos primeiros raios de Sol e confirmar que todo dia renasce a esperança de um mundo melhor.
À esta força adicional, podemos chamar: amor.
Domenico Cesare
Março 2026
Domenico Cesare é engenheiro, gaúcho de Porto Alegre, 67 anos. Após uma vida profissional pautada no relacionamento e gestão de grandes equipes, decidiu investir suas experienciais pessoais e familiares contando histórias. Em especial, escrever a sobrevivencia de sua familia italiana nos anos conturbados que antecederam a segunda guerra mundial até seu desfecho. Participando do Curso de Formação de Escritores estreia com seu conto - Os orixás disseram não - na Coletânea Toda Forma de Amor 2025.