Um dia comum que se transforma em lembrança
O dia amanhecera com um sol ardente, radiante, escorrendo pelos telhados da casa e iluminando a piscina, que brilhava como que convidando para um mergulho. Já era hora mesmo do meu exercício matinal, natação, todos dias pela manhã sessenta idas e voltas na piscina.
Mas antes do mergulho, um som conhecido chamou minha atenção, o alvoroço de três macaquinhos no pé de manga. Aquela algazarra viva é sempre uma festa para mim. Lembrei-me de colocar bananas para eles. Pedi à minha prima que trouxesse a fruta tão apreciada pelos meus bichinhos. E como de costume, coloquei os pedaços sobre uma tábua que fica em cima de uma cerca próxima à mangueira.
No mesmo instante eles desceram todos serelepes, pulando, disputando os pedaços da banana.
Minha prima, fascinada com o espetáculo, não resistiu, pegou o celular e começou a filmar, como quem quisesse guardar para sempre aquele instante, em que o mato, a fruta e o riso dos bichinhos se encontram.
Deixei-a ali, encantada com os macaquinhos, e enfim, me entreguei ao frescor da piscina. A água me envolveu com um abraço azul enquanto o som distante das filmagens e dos guinchos se misturavam ao bater compassado dos meus braços. Era mais um dia comum- desses que, sem aviso, se transformam em lembrança.
Doraney Carmo de Oliveira, 63 anos, professora de Língua Portuguesa aposentada. Exerceu a profissão de professora por 42 anos, tendo atuado no ensino fundamental, médio e superior. Graduada em Letras Vernáculas e Direito pela PUC-GO, com pós-graduação em Língua Portuguesa e também em Literatura pela UNIVERSO (Universidade Salgado de Oliveira).