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A magia do encontro

A magia do encontro

A magia do encontro

Eu adoro festa de aniversário infantil. As crianças aqui de casa também. Basta comentar sobre um convite que começam as perguntas: Onde vai ser? Qual é o tema? Quem vai estar lá? 

A maior expectativa dos meus filhos é encontrar alguém para brincar. Laura adora um docinho de ninho com Nutella, é verdade, mas tudo fica mais gostoso quando se tem uma amiga para compartilhar o momento. Pedro troca facilmente os doces e salgados por um cantinho pra bater bola ou uma sala de jogos interativos pra se divertir com meninos da mesma idade. Enquanto eles procuram companhia, eu procuro uma mesa para me acomodar e apreciar, sem pressa, todas as delícias oferecidas na festa, afinal, alguém precisa valorizar o cardápio. 

Entre tantas festas, uma delas deixou uma lembranças que carrego até hoje. Foi o aniversário da Lulu, minha sobrinha e afilhada, uma menina encantadora que estava comemorando seus cinco aninhos. 

A festa estava deslumbrante. A decoração de A Bela e a Fera transformava o salão em um cenário de conto de fadas. Lulu estava radiante. Seus olhos brilhavam, seu sorriso despertava outros sorrisos e sua alegria contagiava todas as pessoas presentes. 

Logo que chegamos, Pedro deu um abraço na prima e, em seguida, desapareceu em direção à área de jogos que o atraiu desde a entrada. Laura observou o ambiente com curiosidade, acompanhou com os olhos o movimento das crianças que corriam de um lado para o outro, mas não demonstrou interesse em se juntar a elas. Preferiu permanecer na mesa, sentada com os adultos. Percebi que ela balançava as pernas sob a cadeira enquanto alternava o olhar entre a decoração, as brincadeiras e as pessoas que chegavam. Depois de algum tempo, finalmente levantou para participar das atividades conduzidas pelos recreacionistas. Observei a distância e vi que, mesmo sem conhecer as outras crianças, ela estava integrada à brincadeira. Voltei minha atenção para a conversa à mesa, confiante de que, se precisasse de mim, ela saberia onde me encontrar. 

Laura passou o final da tarde se divertindo, e eu também. Conversei com pessoas queridas, brinquei com a aniversariante, tirei algumas fotos e me deixei envolver pelo clima alegre da comemoração. Já perto do fim da festa, enquanto alguns convidados se despediam, uma amiga de longa data se aproximou para dividir comigo algo que a tocou profundamente.

— Elisa, nós estamos encantados com a Laura.

Fiquei curiosa para saber o que viria a seguir. Ela continuou:

— A Serena é muito tímida e não estava conseguindo se aproximar das outras crianças. Durante o piquenique, a Laura sentou ao lado dela. Vi que a Laura foi se aproximando aos poucos e que a Serena foi se soltando. Elas começaram a conversar, trocaram olhares, sorrisos e, quando eu percebi, já estavam brincando juntas.  É a primeira vez que vejo a minha filha tão feliz numa festa sem a nossa presença ao lado. Ela confiou na Laura, e as duas passaram a tarde inteira se divertindo.

Enquanto eu a escutava, meus olhos, marejados, procuravam as meninas. Encontrei ambas lado a lado, atravessando o salão como se já se conhecessem há muito tempo. Sorri como quem reconhece a beleza das coisas simples ao perceber que cada uma havia encontrado exatamente o que procurava: uma nova amiga. Naquele dia, a magia atravessou os cenários e encontrou lugar na vida real. 

Texto revisado por Luiza Perufo

Elisa Lempek

Elisa Lempek é gaúcha, nascida em 1983, mãe de dois, psicóloga e escritora. Na clínica, atua com psicoterapia online para adultos e casais, oferecendo um espaço de escuta sensível e acolhimento às singularidades de cada trajetória. Seu trabalho dedica atenção especial às vivências relacionadas às neurodivergências, aos vínculos e aos processos de perda e transformação. Na escrita, compartilha textos que revelam seu olhar para as sutilezas das relações familiares e as entrelinhas do cotidiano.