por Lorena Araújo
(Manifesto autoral)
Algumas pessoas escrevem para explicar o mundo. Eu escrevo a partir do que observo que acontece dentro dele, sobretudo aquilo que quase passa despercebido
Interessa-me o cotidiano. Os gestos pequenos, os silêncios, as relações, as escolhas que parecem individuais, mas carregam histórias muito maiores do que nós.
Escrevo especialmente sobre mulheres: sobre as formas como aprendemos a cuidar, permanecer, partir, desejar, sustentar e pertencer. Sobre aquilo que nos é ensinado sem que ninguém precise dizer em voz alta. E sobre o momento em que começamos a perceber que podemos aprender de outro modo.
Minha escrita nasce dessa observação.
Às vezes, ela se torna crônica. Em outras, conto ou romance. A forma muda, mas a pergunta permanece: o que existe por trás daquilo que aprendemos a considerar normal?
Não escrevo para oferecer respostas.
Escrevo para me aproximar das pequenas fissuras do cotidiano — aquelas pelas quais conseguimos enxergar alguma coisa que sempre esteve ali.
Acredito que a literatura começa nesse instante: quando percebemos que também podemos aprender de outro modo, desconstruindo aquilo que nos foi dado como natural.
Lorena Araújo
Sou escritora, procuradora federal, mestra em gestão e políticas públicas pela USP e professora da ENAP. Minha escrita reúne ficção e questões relacionadas às vivências das mulheres, às relações de gênero, e às formas como aprendemos a pertencer ao mundo.
Escrevo especialmente sobre mulheres: sobre as formas como aprendemos a ser, viver, desejar, cuidar, permanecer, sustentar, partir e pertencer. Sobre aquilo que nos é ensinado como natural. E sobre o momento em que começamos a perceber que podemos aprender de outro modo.
Minha escrita nasce dessa observação.
Às vezes, ela se torna crônica. Em outras, conto ou romance. A forma muda, mas a pergunta permanece: o que existe por trás daquilo que aprendemos a considerar normal?
Acredito que a literatura começa nesse instante: quando percebemos que também podemos aprender de outro modo, desconstruindo aquilo que nos foi dado como natural.