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A rua de Sol

A rua de Sol

por Laura Serafim

A rua de Sol

Sol, que todos os dias saía de casa, era uma pessoa muito meiga. Mas era tida como amarga.

Sol, que nem mesmo o vento a derrubara, certo dia teve que sair de casa toda vestida como lua, pois nem sempre era de dia em sua rua.

Enfrentou Januário, homem-bicho que sempre queria colocá-la no armário.

Ele dizia que essa era sua punição só porque ela gostava de escutar as batidas do seu coração.

Januário era um ser intrigante: tinha fogo saindo pelas ventas e pernas pequenas, mas sabia vestir uma aparência encantadora. No entanto, sua maldade era esmagadora.

Sol, um dia, decidiu fugir, mas mal sabia que precisava mesmo era findar o que vivera ali com seu Januário.

Ela precisava recuperar seu espaço e jamais fugir para os lados. E, de volta para sua rua, Sol, mesmo revestida com seus dias de lua, puxou seu guarda-chuva mágico e o abriu, fazendo assim o maior estrago no homem-bicho, que até então tomara seu abrigo.

No final, Sol aprendeu que sua maior força se encontrava em si mesma. E isso independe se seus dias são de sol ou de chuva, pois o importante mesmo é sempre voltar para sua rua.

Laura Serafim
Laura Serafim
Fortaleza/CE

Laura Serafim

Sou Laura Serafim, escritora e psicóloga brasileira, hoje vivendo no Porto. Minha trajetória nasce do encontro entre ciência, arte e literatura. Sou graduada em Psicologia, com especialização em [Neuropsicologia] e formação em Arteterapia, caminhos que aprofundaram meu olhar sobre as emoções e as complexidades que nos atravessam.

Minha escrita nasce do meu respirar: é o meu modo de existir. Em 2020, publiquei de forma independente o e-book Tu és Ser e participei de antologias literárias. Atualmente, dedico-me ao romance A voz que falta para dizer que te amo, sobre as nuances dos vínculos, dos afetos e das dores que podem surgir nas relações.

A leitura e a escrita ocupam um lugar essencial na minha vida, e sigo aprimorando meu ofício, como faço agora no curso de Escrita Criativa da Metamorfose. Acredito na literatura como espaço de reflexão e de reencontro. Escrevo para transformar experiências em palavras e dar novos sentidos às histórias que carregamos.