por Rita Rabadji
Ana era a caçula de três irmãos. Nascida no susto, era a mais nova da família.
Nos dias quentes, seu pai a levava ao clube nos finais de semana. Ansiosa pelo passeio, Ana acordava cedinho, vestia a roupa de banho e já colocava a bóia na cintura.
Pronta, batia à porta do quarto do pai até que ele respondesse. Tomavam café da manhã e partiam para o destino das brincadeiras.
No caminho, havia um desnível na pista. Seu pai acelerava o carro e, ao passar por aquela "ondinha", Ana sentia um frio no estômago. Uma mistura de susto, satisfação e alegria.
Sempre chegavam ao clube antes de as piscinas abrirem. Sentavam-se em frente ao portão e esperavam. O responsável pela abertura já os conhecia e conversava com eles até dar o horário.
Assim que o portão se abria, Ana entrava correndo e pulava direto na água gelada.
Era uma diversão.
Com o pai, aprendeu a nadar e perdeu o medo de saltar da beirada da piscina e até do bloco de partida. Brincavam e se divertiam até por volta das dez da manhã, quando o clube começava a receber mais pessoas.
Então se preparavam para ir embora. Mas havia ainda um último ritual.
Ana comia um cachorro-quente, sempre com o mimo da senhora que a atendia: duas salsichas no pão. Depois, sorvete. De flocos, claro.
Na volta para casa, o almoço já estava sendo servido. A mãe de Ana não entendia como, depois de uma manhã inteira de piscina, a filha não tinha fome.
Ana sabia.
Cachorro-quente com duas salsichas e sorvete de flocos tinham seu preço.
E vinha a bronca.
Era a melhor bronca que ela podia receber.
Foram muitos anos repetindo aquele ritual: acordar cedo, vestir a boia, passar pela ondinha, esperar o portão abrir, mergulhar na água gelada, comer cachorro-quente e terminar com sorvete de flocos.
Anos depois, Ana ainda consegue voltar àquele lugar.
Basta fechar os olhos.

Se pudesse escolher uma palavra seria evolução. Comecei cedo, inspirada por mulheres fortes que puderam me mostrar um caminho incrível ao qual pude ter certeza que com foco e determinação chegaria a me destacar.
Atuo no mundo corporativo há mais de 30 anos, com uma trajetória profissional em gestão de negócios e de pessoas, movida por transformação e desenvolvimento humano.
A escrita surge neste momento de maior maturidade, como um novo caminho de reconexão comigo mesma, onde elaboro experiências, sentimentos e reflexões. Escrevo para compreender, sentir e dar sentido às vivências que atravessam minha jornada.