por Vilma Toloto
Angelina começou os preparativos na sexta-feira. O almoço de domingo exigia planejamento, e ela gostava de fazer as coisas sem atropelo. Aos setenta e poucos anos, continuava organizada como nos tempos em que trabalhava como costureira: separava os ingredientes, conferia as quantidades e deixava cada coisa no seu lugar. Não suportava descobrir, no meio de uma receita, que faltava alguma coisa essencial.
O cardápio estava decidido. Frango assado, arroz branco, batatas douradas, salada de folhas, farofa e, para sobremesa, um pudim. Haveria comida suficiente para o filho, a nora e os dois netos.
No sábado, ela foi ao supermercado, voltou carregada de sacolas e passou boa parte da tarde na cozinha. Temperou o frango, lavou as louças que eram usadas só em ocasiões especiais, preparou o pudim e também escolheu uma toalha bonita.
Gostava da casa cheia, do barulho de gente chegando, de alguém pedindo mais comida, das crianças abrindo a geladeira para pegar suco sem precisar pedir licença.
Na manhã de domingo, Angelina levantou cedo. Colocou o frango no forno, preparou e decorou a salada com pedaços de manga. Conferiu a mesa várias vezes. Às onze e meia, tudo estava pronto. Tomou banho, vestiu uma roupa bonita e passou um pouco de batom.
O telefone tocou pouco depois do meio-dia.
— Mãe, não vai dar para irmos hoje — disse o filho, com a voz apressada. — Surgiu um imprevisto. A gente deixa para almoçarmos no próximo domingo, pode ser?
Angelina olhou para a mesa posta. O frango continuava no forno, as travessas estavam alinhadas e o pudim resfriando.
— Claro, meu filho. Não tem problema.
Desligou e ficou alguns segundos com o telefone na mão. Depois foi até a cozinha, levantou a tampa da panela de arroz e tornou a fechá-la. Abriu a geladeira, olhou para o pudim e suspirou.
Não era a primeira vez que os planos dos outros mudavam em cima da hora, sem levar em conta os dela.
Angelina tirou o avental e foi até a janela. Do outro lado da rua, a amiga Lúcia regava as plantas. Mais adiante, Vanda recolhia as roupas do varal.
Uma ideia lhe ocorreu.
Telefonou primeiro para Lúcia.
— Você já almoçou?
— Ainda não. Por quê? Vai me convidar para alguma coisa?
— Tenho comida para um batalhão e estou aceitando voluntárias.
Lúcia riu.
— Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu. Meu filho cancelou o almoço. Mas o frango não tem culpa, e o pudim muito menos. Você vem?
— Vou, e levo um vinho.
Angelina ligou para Vanda, que aceitou o convite e prometeu aparecer em quinze minutos.
Quando as duas chegaram, encontraram a mesa posta, o frango dourado e Angelina pronta para receber as visitas. Vanda trouxe uma garrafa de vinho, e Lúcia apareceu com um pedaço de queijo mineiro.
— Pelo visto, seu filho perdeu um grande almoço — comentou Vanda, acomodando-se.
— Ele perdeu. Nós ganhamos — respondeu Lúcia, bufando.
As três comeram sem pressa. Elogiaram as batatas, dividiram o restante da farofa e fizeram justiça ao pudim. Entre uma garfada e outra, falaram dos preços do supermercado, dos vizinhos, dos programas de televisão e das últimas notícias do bairro. Vanda confidenciou sobre um pretendente que frequentava o baile da terceira idade. Lúcia contou um episódio hilário do salão de cabeleireiro, e Angelina riu até as lágrimas.
A segunda taça de vinho deixou a conversa mais animada. Depois do café, ninguém tinha pressa de se levantar. Lúcia lembrou-se de uma música antiga, Vanda tentou cantar o refrão e Angelina acompanhou batendo os dedos na mesa.
Depois de lavarem a louça e deixarem a cozinha impecável, Lúcia e Vanda se despediram. O sol já começava a baixar, e a casa voltou ao silêncio, agora acolhedor.
Naquela noite, antes de dormir, Angelina pensou que deveriam repetir encontros como aquele. Não precisava esperar uma ocasião especial para convidar as amigas.
Na sexta-feira seguinte, o telefone tocou.
— Mãe, domingo vamos almoçar com você — anunciou o filho. — Eu, a minha mulher e as crianças.
Angelina estava terminando de costurar a bainha de uma saia. Colocou a peça no colo e respondeu com a maior naturalidade:
— Ah, que bom, meu filho! Então está combinado.
No sábado, não fez compras especiais nem temperou frango. Também não preparou pudim. Em vez disso, telefonou para Lúcia e Vanda.
— Amanhã vocês estão livres?
— Depende — respondeu Lúcia. — O que você está tramando?
— Nada que não possa ser resolvido com um batom e um pouco de disposição. Venham para cá às onze e meia.
No domingo, pouco antes do horário combinado, Angelina estava pronta diante do espelho, apenas colocando os brincos. O vestido que ela mesma fizera tinha um corte impecável. Afinal, quarenta anos de costura lhe haviam ensinado a confeccionar uma roupa bem-feita.
Lúcia chegou primeiro. Vanda chegou, conferindo o batom num espelhinho. As três se instalaram na varanda, conversando tranquilamente, sem nenhuma preocupação com tarefas domésticas.
Quando o carro do filho dobrou a esquina, Angelina foi abrir o portão.
Ele desceu sorridente, seguido da mulher e das crianças.
— Ué, mãe! Vocês vão sair?
— Vamos, meu filho. Não foi você que disse que vinha almoçar comigo?
— Ah, por falar nisso, convidei minhas duas amigas para almoçar com a gente.
— Foi. Mas eu pensei que...
Angelina inclinou a cabeça, como se tentasse compreender.
— Ai, meu Deus! Você pensou que eu fosse preparar o almoço em casa? Eu entendi que você estava me convidando para almoçar fora.
O filho olhou para a esposa, que conteve um sorriso. Ao ouvirem a palavra restaurante, as crianças se animaram.
— Mas, mãe, eu não falei em restaurante!
— Não falou? Que distração a minha! — disse Angelina. — De qualquer maneira, já estamos todas prontas. Escolhemos um lugar ótimo. Vocês vêm com a gente?
Ele abriu a boca para protestar, mas desistiu. As crianças perguntavam o que havia no cardápio, e as amigas aguardavam junto ao portão.
— Vamos, então — acabou dizendo o filho, sem esconder inteiramente a contrariedade.
No restaurante, as três amigas escolheram uma mesa confortável e examinaram o cardápio. Angelina pediu o prato que gostava, sem ao menos olhar o preço. Lúcia e Vanda fizeram o mesmo.
A conversa correu animada, principalmente entre as três. Angelina contou uma história engraçada sobre os tempos em que costurava para uma cliente que mudava de ideia a cada prova. As amigas acrescentaram detalhes, e logo as três estavam rindo. O filho, sentado diante delas, tentava acompanhar a conversa e passar a expressão de quem estava à vontade.
Quando a conta chegou, ele pegou a carteira. Conferiu o valor, ergueu os olhos e olhou para a mãe.
Angelina apenas lhe dirigiu um sorriso afetuoso.
— Obrigada pelo almoço, meu filho. Foi uma excelente ideia.

Vilma Toloto, natural de Ourinhos-SP, é Pedagoga, pós-graduada em Psicopedagogia (PUC-SP) e em Recursos Humanos (PUC-Chile). Desde a infância, encontra na leitura e na escrita um espaço de prazer e crescimento.
Na adolescência, passou a escrever poesias e contos, paixão que segue cultivando e aprimorando por meio de estudos contínuos. Teve experiências no teatro, que influenciaram seu olhar narrativo.
É autora do conto "Cartas que o tempo não apagou", publicado na coletânea "Toda forma de amor" (Editora Metamorfose). Em 2026, finalista da Flip Off, com o conto "A Carta de Celina", e da Festa Literária Internacional de Paraty, com o conto "Domingo", na antologia NÓS 4.