por Branca Lopes Boson
Tudo embola na cabeça na forma de pensamentos. Tudo que eu tenho que fazer, e faço, vira muita coisa
Da Fliparacatu, se vou ou não, se vale a pena, passa para o absurdo de ter comprado livros da editora e não vendê-los. De ter feito o livro, e ter feito as pessoas comprarem, tão caro, e ter caído no golpe do janota. E daí passa para "eu errei ontem com fulana e dei na cara". Porque fiquei parada na frente.do computador e não olhei o plano dela e não revisei o guia dela. E a beltrana que vai começar o meu serviço e não me pagou, como eu topei isso? Eu não sei vender e cobrar e erro nisso. E tem a mamãe, que está tão velhinha. E a casinha? Por que não mudo? Não entendo a mim mesma. É só ir e me virar com o que tem lá. Não vou. E eu fico aqui fritando e não durmo. E tem a escrita que não posso largar, mas tem que escrever o texto e pensar um projeto de livro, mas não tenho como pagar por um e falei com a editora para reeditar o livro que não vendo, mas não vou fazer isso pq eu não tenho dinheiro pra isso. E a minha vida é toda uma bagunça, mas tem um jeito de ficar tudo organizado? Tem alguém q tem a vida toda certinha? Agora, escrevendo, não parece tão zoneada. É como eu estivesse só errando e correndo o risco iminente de fazer uma bobagem dessas de arrepender a vida toda. É o que fiz ao me casar, ao namorar esse e aquele. E é engraçado que a coisa mais errada que posso ter feito foi ter saído de um trabalho seguro, mas isso não vem à mente nessa hora em que passo em revista a vida para escolhas erradas. Gastos que não posso fazer sendo feitos. Para que comprei dois sapatos? Cheia de sapatos! Por que não estou dormindo na casinha? Estou aqui sozinha. Mamãe perto. Vou lá todo dia. Na casinha não vou fazer isso. É longe. Aqui, eu desço a rua cinco minutos antes do almoço. Ela me prende aqui. É isso? Então, não é errado, é uma coisa de que posso me orgulhar. Mas nem tanto pq eu não converso com ela direito, eu quase sempre perco a paciência. Eu não sei lidar com a finitude dela. E com a minha? Não sei. Queria ter dinheiro. Acho que se tivesse não estaria acordada desde as 3:40 com essas preocupações. Ah, se eu não tivesse que guardar e pensar em dinheiro minguando eu não estaria assim preocupada agora. Será? Acho que não. Mas é curioso tentar adivinhar com o que me preocuparia . O que eu faço se está tudo errado? Parada eu estou errada. Eessa palavra, hein? Erro. Tem coisa aí. Neurose atacando total, dominando o pedaço. Deveria estar dormindo. Eu estou com sono. Cabeça, me deixa dormir!!! Vou rezar.
Branca Boson é especialista em Comunicação, e sempre foi amante das ideias. Trabalha com mentoria em expressão, ghostwriting e redação. Caçula de pais professores e intelectuais, mãe da Letícia, uma bela médica em começo de carreira. Escreve para tirar o extraordinário do ordinário, provocar emoção em quem passa batido, fazer pensar e dar significado. Branca acredita que tudo tem história para contar, sejam produtos, empresas ou pessoas. E que o ser humano conta histórias para (sobre)viver, se relacionar e evoluir.
Mestre em Gestão da Informação pela Fundação João Pinheiro. Especialista em Gestão Estratégica em Marketing pela UFMG e em Responsabilidade Social Empresarial pela PUC Minas, atua no desenvolvimento da expressão autoral de profissionais e líderes, ajudando-os a transformar conhecimento, experiência e propósito em narrativas claras, autênticas e influentes. Autora de romances e contos, integra a prática da escrita à mentoria, unindo pesquisa, estratégia e linguagem para fortalecer posicionamentos, ampliar impacto e construir uma comunicação coerente com a identidade de cada pessoa.
Sua literatura explora as contradições humanas, os preconceitos sociais e os processos de transformação. Em seus livros, aborda temas como identidade, envelhecimento, violência de gênero, relações afetivas, etarismo, tecnologia, liberdade e reconstrução pessoal. Seus contos revelam, com ironia e sensibilidade, as surpresas do cotidiano e as complexidades da condição humana.