por Daliha Zatta
Escrever é um ato político. Anos atrás eu não poderia escrever sem um pseudônimo masculino, insisto, escrever é intrinsecamente político, ato de resistência. Oriundas dessas antigas histórias, — contadas por vencedores sendo os mesmos perseguidores que homenageiam torturadores; e silenciam do nosso povo suas dores.
Acolhedores preços são do papel que vendemos para o europeu, amedrontadores são os preços quando chegam para nosso "eu", que daquela árvore o fruto não colheu.
Seu trabalho não é valorizado, ou o acesso que é negado? Competimos contra as telas, porém, não com as do cinema. Me obrigam a poupar palavras, usar verbos e mais verbos para entreter seus cérebros. Corroídos por trabalhos cansativos. Viver é exaustivo. Isso força sua mente a desligar, para tentar relaxar, "então que tal o feed rolar?"
Enfim, escrever isso é cansativo, no final você quer se tornar fruto ou ruína desse sistema?

Daliha Zatta é uma autora fortemente influenciada pelo slam, que questiona e desafia as estruturas sociais em suas obras.