por Luciano Viana
Antes de responder, esse tal de ESG foi um troço criado por quem tem dinheiro para organizar as empresas em três pilares: Environmental (Ambiental), Social e Governance (Governança). A ideia é muito simples: para que as empresas tenham uma boa gestão, perpetuem seus negócios e consigam mais dinheiro, devem realizar práticas que demonstrem respeito ao meio ambiente, às pessoas e serem honestas no que fazem.
Não sou daqueles que acreditam que as empresas devam sair realizando benesses sociais de qualquer jeito. Defendo um processo óbvio: a empresa avalia suas atividades, verifica seus impactos sobre as pessoas e o meio ambiente e, simplesmente, toma medidas para que isso não ocorra. Mas, se for para ocorrer, que os impactos sejam minimizados o máximo possível.
Tendo sempre atuado com o S, comecei a pensar que esse tema nas empresas tem um processo de evolução similar às fases do luto. Em primeiro lugar, a negação. É quando acham que é uma grande bobagem gerar impacto social positivo e que cumprir a lei é o suficiente. Afirmam: não sou ONG nem prefeitura.
Aí vem a raiva. O mundo muda e as exigências mudam com ele. As empresas passam a ser cobradas para colocar em prática mais do que antes, seja através de normas legais, seja por demanda de quem tem a grana. Não tem saída. Começam a fazer um pouco mais, mas fazem com raiva.
Depois que começa, dificilmente volta à estaca zero. Mas vem a barganha. Diante da cobrança por mais ações sociais, as empresas tentam convencer todo mundo de que já têm o suficiente. Vejam as doações que eu fiz. Olhem essa foto cheia de criança sorrindo no meu relatório. Como dizem na minha terra, vão jogando o barro pra ver se cola. Dependendo do contexto, cola tanto que dá pra construir uma casa inteira. Em outros cenários, a terra está tão seca que esfarela e cai no chão.
Quando essa argila não prega onde deveria pregar, chega a fase da depressão. Aquela sensação de derrota, de que a coisa veio para ficar. Uns pensam: pois é, gente, vamos ter que colocar dinheiro nisso. E nada mais deprimente para um empresário do que gastar dinheiro sem sentido (pelo menos na cabeça dele).
Depois de um bom tempo, quando tudo é bem planejado e bem executado, passa-se à fase da aceitação. Os empresários mais atentos começam a notar que tem investidor que olha isso, que as relações com as pessoas melhoram (e conflitos são evitados), que bons profissionais são atraídos para a empresa. Incorpora-se esse fazer social ao processo produtivo e normaliza-se a prática.
Essa jornada é muito mais que mudar um procedimento corporativo. Aqui falamos de mudança de cultura. E por isso é um luto. Dói, incomoda, irrita e revolta. Mas se fizermos a reflexão certa, todo o mundo sai ganhando.

Luciano Viana nasceu em Itajubá (MG) e vive em Ribeirão Preto (SP). Cientista Social formado pela USP e pós-graduado em Sustentabilidade, construiu a sua trajetória profissional na área de Responsabilidade Social e Impacto Social, percorrendo estados como São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte. Em cada território, colecionou histórias, vozes e silêncios que hoje alimentam a sua escrita. Em 2025, iniciou o curso Formação de Escritores, dando forma a um antigo sonho: transformar experiências humanas em narrativa sensível, com olhar atento às relações sociais e às delicadezas do cotidiano.