LINDA
Entro na "Nosso Pão" para o lanche da tarde: um croissant com presunto de parma e um café com leite. Meu coração dispara ao ver quem está sentada à mesa do fundo. Uma saudade dolorida me invade.
— Linda! Que surpresa! Matando saudades da Floresta?
— Oi, Juca. Saudade do croissant da "Nosso Pão".
Sem pedir licença me sento ao seu lado.
— Linda, Linda! Linda como sempre.
Ela ergue por um instante os cantos dos lábios, volta os olhos para a xícara e fica misturando o café com a colherinha.
— Como vai a saúde, Juca? Conseguiu vencer a anemia?
— Os últimos exames vieram melhores. Mas, me conta como está você? O que tem feito?
Ela mastiga o último pedaço de croissant, toma o resto do café, pousa as mãos sobre a mesa. Cubro-as com as minhas. Linda as retira e olha o relógio.
— Nossa! Estou atrasada.
— Esses dias me lembrei das nossas férias na Toscana, você em Sault, no meio das lavandas, com aquele vestido branco?
Ela limpa os lábios com um guardanapo.
— Não é na Toscana, Juca; Sault fica na Provence, na França.
— Puxa! A memória anda me pregando algumas peças.
Retoca o batom, olhando seus lábios carnudos num pequeno espelho. Já de pé, Linda me diz:
— Por falar em Provence, estive em Cannes em maio, o filme do Albert concorreu na categoria de curta-metragem.
— Ah, é? ... Meu carro está na porta, posso te levar aonde você quiser.
— Obrigada, Juca, o Albert está me esperando em frente à Lalka; ele adora os chocolates de lá.
Tento beijar sua face, ela coloca a mão esquerda no meu ombro e me estende a direita.
A moça por detrás do balcão me pergunta:
— O de sempre, seu Juca?