por Cláudio Jaloretto
A praia deserta, olhando as palmeiras,
Era a janela do além, sem luz, sem cortinas;
O mar era uma ave de fundas olheiras,
E o barco oscilava em sua retina.
O tempo era um marco de pedra na esquina;
E as horas eram gotas de areia na praia;
E o falso brilhante era a mão da menina,
Era o pai do poder, a morte em tocaia.
E eu absorto, preso em concreto abstrato,
Vivia o absurdo do mundo, abismado,
Contando as favelas em falso retrato.
Cabisbaixo, calado, desnudo da raça,
Sorvendo em goles o veneno da vida.
E o amor? O amor era a taça ...

Economista com mestrado em Economia do Setor Público, funcionário aposentado do Banco Central do Brasil, Comendador da Ordem do Mérito do Trabalho, conforme Decreto Presidencial de 3/1/2002, tem vários artigos publicados sobre economia. Casado, pai de duas e avô de cinco (dois meninos e três meninas). Contista e poeta, também é contador de histórias.