×

CHICLETE PARA OS OLHOS

CHICLETE PARA OS OLHOS

CHICLETE PARA OS OLHOS

CHICLETE PARA OS OLHOS

Um romance sobre desejo, poder e sobrevivência nos bastidores da televisão

Rio de Janeiro, 1987. A TV Arajá prepara a estreia da novela Lance Proibido, escrita pelo consagrado Narciso Novaes e protagonizada pela estrela Lia Lenzi. Enquanto a emissora vive a euforia de mais um grande lançamento, uma ameaça silenciosa começa a atravessar os corredores dos estúdios: a epidemia de aids chega ao coração da televisão brasileira.

Em meio ao medo, ao preconceito e ao sensacionalismo da época, surge Túlio Marcos, um jovem ator que abandonou uma promissora carreira na medicina para perseguir o sonho artístico. Mas, quando colegas começam a adoecer e o pânico se instala, ele se vê diante do papel mais difícil de sua vida: voltar a exercer a profissão que deixou para trás e enfrentar uma doença cercada por desinformação, discriminação e silêncio.

Enquanto atores, autores, diretores, executivos e jornalistas disputam poder, fama e audiência, os bastidores da televisão revelam um universo em que ambição, desejo, vaidade e sobrevivência caminham lado a lado. As histórias vividas pelos artistas se entrelaçam às dos personagens da novela, criando um jogo metalinguístico em que realidade e ficção constantemente se refletem.

Combinando ficção e rigor histórico, Chiclete Para os Olhos recria com autenticidade o ambiente das emissoras de televisão nos anos 1980. Entre câmeras, estúdios, camarins e redações, o romance revisita uma década marcada pelo brilho da cultura popular e pelo impacto devastador da aids, reconstruída por meio de uma pesquisa minuciosa sobre a época, suas músicas, produtos, costumes, tecnologia e comportamento, enriquecida pelas memórias de quem viveu aquele período e experimentou, de perto, as perdas provocadas pela epidemia.

Mais do que um romance sobre televisão, Chiclete Para os Olhos é uma história sobre amor, amizade, preconceito, perdas e resistência. Um retrato de personagens obrigados a escolher entre se expor em nome da arte ou preservar a própria imagem, numa época em que o espetáculo parecia importar mais do que a realidade.

 

"Aqui é um serpentário, meu anjo."

"A TV parece ser um lugar de sonhos, mas é uma fábrica de ilusão. Dentro e fora. Não passa de um pesadelo pelo qual pagam bem.
[...]
Aqui é um serpentário, meu anjo. Todo mundo rasteja atrás de um papel."

Nos bastidores do glamour, onde luz e maquiagem escondem disputas brutais, ninguém chega ao topo sem deixar marcas.

Até onde você iria pelo estrelado?

"Nem um de nós chegou até aqui sem prejudicar alguém, nem que para isso, na sombra, à espreita, seja preciso tirar a oportunidade de outro."

Ambição, inveja e desejo se misturam em um jogo onde talento nem sempre é o suficiente.

Uma geração marcada pelo medo

"Quando a porta do elevador se abriu, entrou e foi direto ao espelho. A revelação aconteceu ali, sob a luz fria. O sorriso desabou. Era um homem culto, instruído, e analisou melhor a mancha. A resposta irrompeu sua mente como um game over: Sarcoma de Kaposi. Uma lágrima caiu. Depois outra.

Esmurrou o espelho, estilhaçando parte dele e se ferindo, abrindo corte nos dedos. Nem lembrou, naquele instante, que precisaria daquelas mãos para continuar escrevendo.

O sangue pingava no piso branco do elevador. Chegou ao seu andar. Antes de sair, na porção do espelho que restara intacta, escreveu com o próprio sangue uma única palavra, como no frame final de um último capítulo de novela: fim."

Entre o brilho da fama e a sombra da epidemia, vidas são atravessadas por preconceito, desinformação e urgência.

O preço de seguir seus próprios sonhos

"— Tudo bem. Se eu morri pro senhor, então viva seu luto. Porque eu vou continuar vivíssimo. E atrás dos meus sonhos. Meus!"

Quando o mundo tenta te definir, resistir pode custar tudo, inclusive o amor.

Corpos, desejo e audiência

"A sexualização na carreira tornou-se destino inevitável. Nunca teve força, nem poder de escolha para evitar a maré. Foi devorada pelas vontades superiores da entidade chamada 'audiência'..."

Na televisão, o corpo também é moeda, e o público, juiz implacável.

Um retrato cru de uma época que mudou tudo

Entre novelas, bastidores, amores proibidos e uma epidemia que abalou o mundo, Chiclete para os Olhos revela o que acontece quando o espetáculo termina e a vida real começa. Uma história intensa, provocadora e impossível de ignorar.

 

Mauricio Danielli

Premiado com um Emmy Internacional. Após décadas dedicadas apenas aos roteiros, escreve seu primeiro romance: "Chiclete para os Olhos". Na televisão, coescreveu novelas para a Rede Globo (como Mauricio Gyboski), tendo entre seus principais trabalhos Fina EstampaO Sétimo Guardião Império, vencedora do Emmy e de diversos outros prêmios como Extra, F5 Folha Uol, Quem, Contigo e Troféu Imprensa. Seus textos e roteiros foram exportados para mais de 30 países e traduzidos para outras línguas em remakes e adaptações, caso de Marido en Alquiler (Fina Estampa) na emissora hispano-americana Telemundo. 

No cinema, corroteirizou Crô, o Filme Águas Primaveris (em processo de captação), entre outros. Em emissoras regionais, destaque para a primeira minissérie da Ulbra TV, Parada 90, que escreveu e também dirigiu. 

Fez e recomenda o Curso Online de Formação de Escritores. Possui no portfólio projetos de séries, filmes, sinopses de telenovela e novelas verticais. Contato: