por Regiany Tucci Ferreira
Em um reino muito distante chamado Aralume, na região de Lumaré, existe a Escola para Ocultos, onde crianças e adolescentes aprendem, além das matérias comuns, a lançar feitiços e a lidar com suas varinhas cheias de energia mágica.
O Colégio Bromélia é o local onde os bruxos aprendem seus primeiros encantamentos, incluindo a fabricação do Anel do Sol, tão desejado pelos vampiros. Com esse anel, eles conseguem sair à luz do dia, mas o efeito não é eterno: se a energia não for recarregada, o vampiro corre o risco de virar cinzas ao se expor ao sol.
A história que vou contar acontece exatamente nesse colégio. Hoje vocês irão conhecer um pouco mais das jovens bruxas do primeiro ano do Ensino Médio Oculto: Amy e Ary.
Estão prontos para embarcar nessa aventura? Então, de olhos atentos, venham conhecer os livros mágicos de Bromélia!
Amy e Ary são amigas inseparáveis. Passam horas na biblioteca, mas também são conhecidas por viverem na sala da diretora Rugabuja, devido às inúmeras encrencas em que se metem.
Ary é sonhadora e planeja a mais assombrosa festa de quinze anos. Já Amy, com suas mechas cor de fogo, deseja encontrar o grande amor da diretora, que sempre está sozinha, dando broncas e monitorando cada passo dos alunos com a inspetora Veelith.
— Já reparou que a diretora nunca tem distrações? Só observa se usamos o uniforme corretamente e se a saia está no tamanho ideal. Nunca recebemos elogios, apenas críticas. Aposto que, se tivesse um namorado, não ficaria nos perseguindo o tempo todo — disse Amy.
Megue, colega de turma, suspirava lembrando de seu novo amigo Kery, o lobo, enquanto tentava estudar para a prova de feitiços da professora Morgraven.
— Aposto que, se a diretora encontrasse um grande amor, não daria falta se eu pegasse o livro de feitiços proibidos para tentar algo novo. Temos muito a explorar — continuou Amy.
— Não podemos pegar este livro, ele é muito poderoso e tem feitiços que ainda não sabemos fazer. Podemos nos colocar em uma grande encrenca. Além do mais, não sabemos os efeitos colaterais de um feitiço malfeito e suas consequências — respondeu Ary, observando Megue suspirando ao lado das duas enquanto estudava para a prova.
— Ihhh, está com medinho agora? Se conseguirmos fazer o Anel do Sol e vendermos na Transilvânia ou em qualquer outro lugar onde haja vampiros, vamos ficar ricas sem precisar prestar vestibular para a Universidade Estrela Guia de Ocultismo. Por lá, eles aceitam fadas, e elas são coloridas demais aos meus olhos — retrucou Amy.
— Não tenho nada contra as fadas. Além disso, a fada Aurora nos ajudou em relação ao ataque dos lobos. Pelo que assisti no caldeirão, a fada Nuby era bem engraçada. Conheci Lily, uma fada da nossa idade que estuda na escola de fadas. Ela é tipo a nerd da turma e é bem legal. Sabota jogos dos humanos; acredito que tenha sido ela quem colocou uma placa de "queremos injustiça" no Roblox — comentou Ary.
— Deve ser divertido invadir jogos humanos e fazê-los viver o game over a todo momento ou travar as máquinas para que precisem levar ao técnico. É algo que invejo nas fadas: poderem ficar em tamanhos minúsculos que mal conseguimos enxergar, a ponto de serem confundidas com vagalumes — completou Amy.
As meninas deram risadas e acabaram sendo levadas até a sala da direção pela bibliotecária de nariz empinado. A mesma puxou as duas pelas orelhas, conduzindo-as pelos corredores escuros do colégio.
— Trouxe essas duas pestinhas que não paravam de dar risadas, falando uma palavra estranha: Roblox. Acredito que isso seja bem suspeito — falou a bibliotecária ao entrar na sala da diretora.
Rugabuja abriu o dicionário do livro de feitiços procurando a tal palavra e foi interrompida por Ary:
— É um jogo famoso do mundo humano, senhora diretora. Não estamos planejando explodir o colégio desta vez, nem fazer invocações ou atrair ratos e cobras para a sala dos professores. Também não tentamos invadir a sala do Dragão, soltá-lo ou adotá-lo como animal de estimação — pontuou Ary, franzindo a testa. — Estamos nos comportando muito bem desde o mês passado, quando acidentalmente transformamos a professora de matemática em barata. Por sinal, estou cuidando muito bem dela, que parece ter uma vida longa, pois Kali pisou nela por acidente e, mesmo assim, ela se manteve firme.
— Eu odeio matemática — resmungou Amy, que recebeu um pisão no pé de Ary para parar de reclamar. Imediatamente abriu um sorriso para disfarçar, concordando com a amiga.
— Merecemos até um troféu de bom comportamento. Zero travessuras nos últimos trinta dias — comentou Amy com um sorriso sapeca nos lábios.
Amy se aproximou da mesa da diretora, retirou seu chapéu mágico de bruxa e o colocou em uma das cadeiras.
— Mas devo dizer que protesto pelo Dragão preso numa cela em uma sala fechada. Nem deram nome para ele! Poderia se chamar Cabeça de Fogo ou Gigante Voador, não sei... Mas ele precisa voar por aí, queimar alguns humanos que desmatam florestas e matam animais. Mantê-lo preso é maus-tratos contra os animais, que merecem viver bem e são nossos amigos e companheiros, mesmo que sejam dragões.
— Silêncio, Amy! Já falei dos perigos de dragões soltos e sobre não ser permitido entrar no mundo dos humanos. Vocês deveriam estar estudando para a prova de feitiços, não pensando em jogar games. Os humanos bobos ficam babando em cima de telas e não pensam no futuro, nem nas consequências para si mesmos e para a saúde. Nós temos um grande diferencial: somos inteligentes! — respondeu Rugabuja, saindo de trás da mesa e caminhando pela sala da direção, segurando sua varinha preta com pena vermelha na ponta.
— Nós, ocultos, lemos livros e não ficamos horas em telas brilhantes e coloridas, nem fazendo danças e repetindo euforicamente números em inglês, six, seven. Nosso colégio não forma aura, forma grandes bruxos com profissionalismo excelente em magia, capazes de transformar até um imortal em mortal e ressuscitar os mortos.
— E de que adianta ressuscitar os mortos se eles se transformam em zumbis famintos por cérebros? Eles não retornam à vida humana. Então, de fato, precisamos do grande livro de feitiços para estudar como trazer os mortos de volta à vida humana — retrucou Amy.
— Fique longe desse livro, Amy! Saiam imediatamente da minha sala e estudem pelo livro de vocês! — ordenou Rugabuja.
As meninas saíram da sala e começaram a conversar no corredor escuro, onde quadros se moviam sozinhos em sussurros assustadores, pois os bruxos falecidos ficavam presos em quadros como se fossem grandes obras de arte.
— A diretora Rugabuja precisa de um namorado, vai por mim, Ary. Isso é falta de romance. É muito mau humor, por isso ela não consegue farmar aura. Passa décadas cuidando do colégio, deve ter uns trezentos anos e nunca viveu uma história encantada de amor — disse Amy.
— Amy, nós podemos ser expulsas! Não vamos fazer nada além de estudar e aceitar as ordens da direção — respondeu Ary.
Amy deu de ombros e lembrou que havia esquecido seu chapéu na sala da diretora, planejando deixá-lo lá como pretexto para retornar e tentar pegar o grande livro de feitiços. Nesse momento, Megue apareceu no corredor, segurando seu caderno de anotações e sua varinha de aluna em tom preto com faixa roxa, cores dos uniformes do colégio.
Megue começou a comentar sobre um possível passado da diretora:
— Já ouvi dizer que a diretora Rugabuja, quando estudava na Universidade Estrela Guia, conheceu um rapaz muito lindo e se apaixonou. Mas não pôde viver o romance, pois suas famílias os separaram. Dizem que ele era um lobo, assim como Kery, e os grandes bruxos o prenderam em um dos quadros do colégio para sempre, já que nós, bruxas, não podemos nos envolver com lobos.
Amy revirou os olhos e suspirou:
— É como um clichê de humanos se apaixonando por vampiros. Eles são predadores dos humanos, e os lobos nos caçam e atacam. É como um amor impossível, não escrito nos Diários de um Vampiro.
— Eu discordo dessas histórias de amor. É como viver dependência emocional, sendo a Bella da saga Crepúsculo, fazendo tudo por Edward. Não precisamos de romance, precisamos lutar pela independência e sermos como a diretora: cheias de diplomas, sem nenhum romance bobo — respondeu Ary, jogando uma mecha de cabelo loiro para trás.
Amy e Megue concordaram com movimentos de cabeça. Megue acrescentou suavemente:
— Ela nunca se apaixonou, por isso não será uma boa parceira de crime para recuperar o grande amor da diretora. Mas eu topo! Já sei um pouco sobre como desfazer o feitiço dos quadros e trazê-lo de volta. Já imagino o beijo de amor verdadeiro quebrando qualquer magia negativa.
— Gosto do lado da independência, Megue. Não discordo de Ary, mas sou obrigada a concordar que a diretora nunca se apaixonou. Ela é uma estudante que carrega livros de Harry Potter e nunca leu romances de Jane Austen. Vamos ser sinceras: ninguém da nossa turma deu seu primeiro beijo de amor verdadeiro. Somos jovens demais para saber o que é amor — respondeu Amy.
Ary balançou a cabeça negativamente, piscou longamente e olhou para os quadros em movimento nas paredes.
— Eu desisto... Qual é o plano, Amy?
— Pois bem, meninas, tive uma ideia: vamos encontrar esse lobo e escrever esse romance, no estilo Diários de uma Bruxa Mal-Humorada! — disse Amy, colocando óculos escuros e jogando uma mecha de cabelo para trás.
Ary se virou para Megue, comentando sobre a possibilidade de algum diagnóstico sobre a saúde mental de Amy em tom de brincadeira. Logo, as duas partiram para a sala de feitiços para a avaliação da professora Morgraven.
Veelith estava na porta da sala, organizando a entrada dos alunos e pedindo silêncio para aguardar a professora com a folha de avaliação. Todos se sentaram em silêncio, com postura ereta, prestando atenção nas instruções para a prova — menos Amy, que guardou um celular embaixo da carteira e enviou mensagem para Ary:"Me passe a cola."
Ary respondeu:
"Deveria ter estudado. Não deveria estar pensando em romances para distrair a diretora. Mas não posso passar a cola, estava com você o tempo todo. Eu também não vou saber."
Morgraven entrou na sala e começou a distribuir as folhas de prova, quando observou algo diferente: Amy e Ary olhavam o tempo todo para baixo. A professora se aproximou, pegou o celular das meninas e as levou novamente para a sala da diretora.
— Vocês de novo por aqui? Que grande honra será a minha em reprová-las na matéria de feitiços, deixando-as ter aulas nas férias. Podem cancelar qualquer plano: as férias serão comigo, em aulas maravilhosas para inspirar vocês a estudarem. Hoje ficarão até as oito da noite, lendo este livro para fazerem um trabalho novo, valendo uma pontuação magnífica de 0,01 — disse Rugabuja.
A diretora colocou um livro grande e pesado em cima da mesa, contendo novecentas e trinta páginas. Observou o arregalar dos olhos das alunas e, em seguida, deu-lhes um questionário de quinhentas perguntas sobre a matéria de feitiçaria.
Ary e Amy saíram da sala e conversaram pelo corredor:
— Eu aceito, Amy. Vamos trazer o rapaz lobo de volta para a diretora. À noite eu irei distraí-la fazendo perguntas sobre o nosso trabalho, enquanto você irá pegar o grande livro proibido de feitiços que nunca nos deixaram acessar. Os feitiços mais perigosos e complexos estão naquele livro. Nele deve haver como ressuscitar os mortos, quebrar feitiços dos bruxos ou, no caso, libertar o lobo preso no quadro. E também como fazer o Anel do Sol. E adivinhe? Eu tenho a semente da planta Boca de Dragão! — disse Ary.
Dito e feito: o relógio bateu vinte horas e Ary procurou a diretora para tirar suas dúvidas sobre o trabalho, levando-a até a biblioteca para apresentar uma parte do trabalho feito no computador.
Amy invadiu a sala da direção à procura do livro proibido, demorando um pouco para encontrá-lo, pois estava em uma passagem secreta próxima à mesa da diretora. O chão se abriu quando ela pegou uma caneta diferente na escrivaninha. Ao apertá-la, em vez de aparecer a ponta para escrever, o chão se abriu.
Amy conseguiu pegar o livro, fechar a passagem secreta e entrar em seu quarto dentro do colégio, no corredor quatro. Ao mesmo tempo, Ary levava outra bronca na biblioteca.
— Por que, caldeirões, você está usando um computador e não sua varinha? Os computadores servem para os alunos novatos fazerem pesquisas. Levante-se e use a varinha para ligar, desligar e pesquisar no seu caldeirão mágico! Você sabe muito bem que ele serve para ver além do que se pode ser visto. Portanto, irá tirar nota zero — repreendeu a professora.
Amy, usando o caldeirão e sua varinha enquanto aguardava Ary, começou um encanto para assistir ao passado de Rugabuja, no ritual de roubos de lembranças — algo que apenas constava no livro proibido e jamais havia sido ensinado.
Rugabuja tinha apenas dezenove anos, com planos para se formar, quando avistou um jovem rapaz um pouco triste sentado em um banco e se aproximou para uma conversa, tentando animá-lo. O rapaz havia acabado de perder sua família, mas ocultou que os responsáveis eram justamente os pais de Rugabuja, grandes e poderosos bruxos.
O rapaz planejou a pior das vinganças: fez Rugabuja se apaixonar por ele. Viveram um romance durante uma década após se formarem e tiveram uma filha metade lobo, metade bruxa. A menina recebeu um colar de ouro com um pingente que apenas se abriria se estivesse em risco, pois o líquido dentro do pingente era capaz de explodir uma cidade inteira.
Livy foi levada para um abrigo humano, deixada lá até completar seus quinze anos e receber a invocação para o Colégio Bromélia. Antes disso, seria criada e educada como se fosse uma humana.
Rugabuja lutou pela filha em um combate contra aquele mesmo rapaz pela qual amou e queria tirar sua filha de seus braços, não havia uma linda história de romance, mas uma mulher triste construindo uma das maiores escolas para ocultos em seu luto ao deixar o seu amor verdadeiro, sua filha nas mãos de humanos.
Ao vizualizar a história, Amy decidiu procurar por Livy, sem saber ao certo quantos anos a menina teria ou qual época ocorreu a batalha, mesmo pedindo a informaçao para o caldeirão.
Amy voou até a cidade de São Paulo, percorrendo a maior cidade brasileira pesquisando e observando abrigos, até encontrar uma jovem com o mesmo colar de ouro e pingente com conteúdo liquido azul brilhante em seu pescoço, dançando em um quarto.
Amy usou sua varinha para destravar a tranca da janela e entrar no quarto com sua vassoura voadora, pousou próxima a cama chocada pela grande bagunça.
A garota tinha cabelo roxo, usava mini saia com meia arrastão e camiseta de banda, quando a mesma voltou para o quarto viu Amy, uma garota aparentimente da mesma idade,ruiva, com algumas sardas e olhos grandes e verdes com um vestido preto e faixa roxa na cintura com um simbolo no vestido escrito "colégio bromélia".
— Quem é você? Está um pouco longe do Halloween... Onde é a festa? Se estiver se escondendo dos seus pais ou de alguém, pode contar comigo. Nem vou te dedurar, basta me dizer onde será a festa à fantasia — disse Livy, desconfiada, mas divertida.
Amy sorriu e estendeu a mão:
— Venha comigo. O salão é enorme, e muitas bandas iradas já estão esperando por lá.
Antes que Livy pudesse reagir, Amy a puxou com firmeza para a vassoura.
— Segure-se! — ordenou.
O vento cortava o rosto de Livy enquanto voavam em disparada. O coração da jovem batia acelerado, e o desconforto crescia a cada segundo. Quando finalmente pousaram no pátio do colégio, Livy sentiu um mal-estar tão forte que precisou se apoiar para não cair.
Amy, com um olhar triunfante, anunciou:
— Bem-vinda ao Colégio Bromélia. Aqui você irá estudar quando completar quinze anos... e descobrir que é uma criatura oculta.
— Como assim? Você é maluca? Onde conseguiu uma vassoura que voa de verdade, igual nos filmes? Ela tem algum tipo de motor? E não tem música? Que festa seria essa sem música, ainda mais dentro de um castelo enorme e estranho? — disse Livy, incrédula.
Assustada, ela caminhou pelo pátio, observando cada detalhe do castelo do Colégio Bromélia. As torres altas, os vitrais coloridos e os corredores sombrios pareciam saídos de uma história antiga. Foi então que ouviu Amy, com seu vestido preto de faixa roxa e chapéu pontudo, declarar com firmeza:
— Preciso te apresentar alguém muito importante.
Livy olhou ao redor e sorriu, animada:
— Esse cenário é perfeito para gravar uma nova dança no TikTok! O que acha de fazermos juntas a coreografia da série Vandinha?
Amy respirou fundo e fixou os olhos nos castanhos de Livy. Reparou em sua aparência tão humana, nos tênis rabiscados com caneta, símbolos de um mundo completamente diferente.
— Somos seres evoluídos e superiores. Lemos livros, temos grimórios, nosso Livro das Sombras. Não vivemos a "tiktokzação" da infância, nem a alienação das telas. Não somos zumbis como os humanos, presos em celulares.
Nossas danças são clássicas, ao som de violino e piano. Aqui, ao completar quinze anos, ninguém se apresenta em músicas constrangedoras com trajes menores. Se fizer isso, é expulsa.
Livy arregalou os olhos e riu:
— Vocês nunca, nunca mesmo usaram TikTok ? De qual planeta vieram? O planeta dos invisíveis e excluídos? Seu visual e esse cenário são perfeitos para um canal no YouTube, cheio de lendas e histórias de bruxas. Seria um sucesso!
Amy revirou os olhos, afastou-se e ergueu a varinha. Sua voz ecoou pelo pátio:
— "Fio cortado, sistema reiniciado, bico calado e HD zerado!"
Livy despencou sobre o chão de pedra gelado do pátio do castelo. Antes que pudesse reagir, Amy ergueu a varinha e a fez levitar suavemente, conduzindo-a pelos corredores sombrios até o quarto no corredor quatro.
As paredes ecoavam sussurros vindos dos quadros, onde bruxos falecidos murmuravam sobre a humana que flutuava diante de seus olhos. Enquanto isso, Ary ainda se esforçava para distrair a diretora.
Amy acomodou Livy na cama e a cobriu com um edredom preto, bordado com o emblema do Colégio Bromélia em tons profundos de roxo. Quando Livy despertou, confusa e atordoada, assustou-se ao ver duas meninas sentadas na cama ao lado, observando-a atentamente.
Ary havia retornado e, ao lado de Amy, aguardava o momento certo para revelar a verdade. Em suas mãos, segurava um álbum antigo, cujas fotografias se moviam como pequenos filmes, revelando memórias vivas de um passado que Livy ainda desconhecia.
— Você já se sentiu diferente nas noites de lua cheia? Pois saiba que, na sétima lua cheia após a meia-noite, quando completar quinze anos, se tornará uma loba-bruxa. E então precisará conhecer sua verdadeira mãe.
Na sala da direção, Rugabuja observava os alunos através do caldeirão, cujo líquido azul brilhante refletia imagens vivas. Ao ver sua filha, uma lágrima escorreu de seus olhos. Já consciente do que acontecia, decidiu ir ao encontro de Livy. Diante do espelho, ajeitou-se com cuidado, preparando-se para o momento inevitável.
Quando finalmente a encontrou, falou com voz firme, mas carregada de emoção:
— O amor mais puro e verdadeiro não é o romance, Livy. É o amor de uma mãe. Apesar dos erros, quando amamos nossos filhos, entregamos nossa alma e nosso sangue para vê-los bem. O mundo humano está cheio de aprendizado... e eu sempre soube que um dia nos reencontraríamos.
Livy, tomada pela raiva e pela confusão, encarou Rugabuja:
— Você me abandonou! Como pode esperar que eu acredite nisso? Parece um pesadelo... Use sua varinha e me faça acordar!
Mas Rugabuja apenas a envolveu em um abraço caloroso, ignorando a súplica.
— Bem-vinda ao Colégio Bromélia, minha filha.
Continua em... "O improvável quadro enfeitiçado."
Formada em Gestão e Auditoria Ambiental pelo Centro Universitário de Ensino Octávio Bastos, com formação em Prática Clínica na Abordagem Centrada na Pessoa pelo grupo EncontroACP, por Marcos Alberto da Silva Pinto, participante do projeto Acolhendo em 2020 há 2022, ao lado de Marcos Alberto e Vanessa Tobias, entre outros profissionais. Atuação como terapeuta em escrita criativa para autoconhecimento, seguindo a linha de pensamento de Carl Rogers, com o curso de transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade em crianças pelo instituto ALMAC Neuropsicologia, Curso de capacitação em atendimento psicológico em dependencia química, ministrado pela profissional Margarida Ferreira, em 2022,Curso de Atualização em transtornos da personalidade, ano de 2022. Participante da comunidade ACP e Clube do livro com leitura das obras de C. Rogers, Curso Alfabetização Transformativa de Jovens e Adultos pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci, 2025, Metodologia Andragogia,para atuação em EJA.
Criadora do projeto do Grupo Fala Mulheres, autoconhecimento através da história.
Oficina criativa, criando contos em roda de conversa com crianças nos intervalos, na Escola José Inácio Diniz, São João da Boa Vista-sp. Ano de 2016.