Todo dia na matina
Enquanto todo mundo dormia
Eu saía
Eu te via
Meio à amarelinha.
No auge da correria
Te conduzia
E pulava
Te passava
E mesmo assim, você vibrava
Na queda, uma briga surgia
E tudo sumia
Mas sempre voltávamos àquela amarelinha.
Mas um dia acabaria
É a lei, a brincadeira sempre acaba
Num dado dia.
E acabou. Num dado dia acabou. A amarelinha ficou vazia. E eu nunca mais te via. O tempo correu. Como sempre corre. E nada pôde parar de acontecer. Vovó se adoentou, e ajudei mamãe em todos os cuidados. Em outro horário, estudava. No escuro, pegava ônibus cheio. Passei para a faculdade de veterinária, minha grande paixão. Mas a alegria ficou dividida, vovó acabou partindo nesse período. Enquanto consolei a família, ajudei no inventário, contratamos um advogado. Sua ajuda virou uma grande amizade. Nos apaixonamos. Casamos. Me formei como veterinária, e continuei em estágio voluntário enquanto não conseguia uma vaga. Ajudava em casa, mamãe se adoentava. À televisão, vi um desenho. Crianças pulavam amarelinha. Lembrei de você, meu velho amigo. O que restaria de ti? Guardado ao tempo, como tudo que passa. Mamãe se aposentou. Meu amor foi demitido. Desiludido, se afundou na bebida. Fui aprovada no concurso público do banco. Não era a carreira de veterinária que eu sonhava, mas esse emprego me deixou feliz. Engravidei. Mamãe iniciou finalmente o tratamento na fisioterapia. Em um acidente doméstico, perdi o bebê. Meu querido lamentou, prometeu nunca mais se afundar nas bebidas. Achou outro emprego, dividindo escritório. Ficamos em luto. Comecei a dançar e frequentar psicóloga. No fim do caminho, vi uma amarelinha.
E não estava sozinha
Você adulto a conduzia
As crianças envolvia
Sabia que nada mudaria
Me arrisquei à amarelinha
Mais uma vez, você vibrava
E a amizade para sempre permaneceria
Estou dentro de uma amarelinha
De sua amiga Fabrícia
Conto com fatos totalmente ficcionais, mas energia inspirado em um e-mail sobre "Amizade" que recebi de um amigo há dezesseis anos atrás. E depois desse mesmo tempo, nos encontramos, mais uma vez.
Carioca, nascida em 1995 e formada na área da saúde. Desde infância tem intensa conexão com as artes. Através da escrita, mas também por meio do desenho e da dança.
Escreve principalmente ficção dramática. Histórias que transmitam conflitos e aprendizagens humanos, por meio de personagens de outras realidades. Em junho de 2026, concluiu o Curso Online de Formação de Escritores.