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Sal, pimenta, IA e homo sapiens

Sal, pimenta, IA e homo sapiens

Sal, pimenta, IA e homo sapiens

Abro o editor de texto, divido a tela e, ao lado do documento em branco, deixo aberta a inteligência artificial que costumo usar para me auxiliar na escrita. Os dois ficam ali, frente a frente, como se me esperassem tomar partido. Olho para um, olho para o outro e pergunto, quase em voz alta: "Como vou escrever um texto sobre revisar justamente o trabalho que você faz?". Ela, claro, não me responde. 

Gosto de pensar na inteligência artificial como se fosse meu Jarvis, uma espécie de assistente pessoal. O engraçado é que, com o passar do tempo, não chamo mais a inteligência artificial de IA e passei a conversar com ela como se fosse uma amiga que está trabalhando comigo. Temos a tendência de humanizar as coisas que fazem parte do nosso cotidiano. Por que será que fazemos isso? Nós, humanos, temos esse costume com plantas, carros, casas, bichos e até com máquinas. O robozinho aspirador de pó que o diga.

Com a inteligência artificial não seria diferente. Talvez a gente queira que ela pense como nós, sinta como nós, mas mantenha todos os conhecimentos que não temos acessíveis ao alcance. Quando ela passa a fazer parte da rotina, deixamos de vê-la apenas como ferramenta e começamos, quase sem perceber, a tratá-la como alguém.

Mas esse costume diz mais sobre nós do que sobre a IA. Talvez, no fundo, a gente saiba que ainda falta nela o toque humano, o tempero, o molho, o erro. E a revisão humana entra justamente nessa fase de temperagem. Somente nós, humanos, sabemos a diferença entre ler um texto, compreendê-lo e ajustá-lo para que diga exatamente o que quer dizer. E, nessas horas, o toque humano deixa de ser detalhe e volta a ser essencial.

No fim, talvez a inteligência artificial seja mesmo um grande assistente pessoal, e, também por isso, a tratemos de forma mais pessoal. Mas é hipocrisia da nossa parte querer uma inteligência artificial humana e pensar que ela pode escrever melhor que nós, que inventamos as palavras. E deixa eu falar uma coisa? A inteligência artificial jamais iria saber fazer a piada do robozinho aspirador.

 

*Esse texto foi feito em colaboração com inteligência artificial.

Isabel Pfahl

Estudante de Letras Português pela Universidade Estadual de Londrina (Uel) e pesquisadora na área de literatura e estudo da narrativa. Atua em revisão, adaptação e tradução de livros para o português brasileiro e compartilha amostras de traduções na plataforma Wattpad. É advogada criminalista e especialista em Direito Penal e Processo Penal - porque histórias também existem fora da ficção.

It's all about how to tell a good story!

Wattpad @itspfahl